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Consumo de carne vermelha pode aumentar casos de diabetes tipo 2, diz estudo

Comer carne vermelha regularmente pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde na vida, sugere um novo estudo feito pela Universidade de Harvard. Os investigadores examinaram dados de saúde de mais de 216 mil participantes que se inscreveram em estudos de saúde de longo prazo e descobriram que aqueles que comiam mais carne bovina, suína e de cordeiro tinham um risco maior de contrair a doença.

“Encontramos um aumento modesto, mas estatisticamente significativo, no risco mesmo com duas porções de carne vermelha por semana, e o risco continuou a aumentar com ingestões mais altas”, disse o principal autor do estudo, Xiao Gu, em entrevista à National Geographic

Riscos de diabetes

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

O diabetes tipo 2 é uma condição médica que ocorre quando o corpo não reage adequadamente ao hormônio insulina ou não o produz em quantidade suficiente. Isso resulta em níveis cronicamente elevados de açúcar no sangue. Pessoas com diabetes também têm maior risco de desenvolver outras complicações de saúde, como doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais e doenças oculares e renais.

Estima-se que 462 milhões de pessoas sejam afetadas pela diabetes tipo 2 no mundo todo, o que representa algo parecido com 6,28% da população total. Em 2017, essa doença causou mais de 1 milhão de mortes e tornou-se a nona principal causa de mortalidade — uma proporção que vem aumentando drasticamente desde 1990.

Para examinar a ligação entre carne vermelha e diabetes tipo 2, os pesquisadores analisaram dados de 216.695 participantes masculinos e femininos em três grandes estudos anteriores. Os pacientes foram solicitados a relatar seu estado de saúde e informações sobre ingestão alimentar a cada dois ou quatro anos, ao longo de 36 anos. Nesse período, 22 mil participantes desenvolveram diabetes tipo 2.

Correlação entre fatores

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

Depois de ajustar fatores como atividade física e consumo de álcool, a equipe de cientistas descobriu que os participantes que comiam cerca de duas porções de carne vermelha por dia tinham um risco 62% maior de desenvolver diabetes do que aqueles com menores índices de ingestão.

Cada porção diária adicional de carne vermelha processada, como bacon ou salsicha, foi associada a um risco 46% maior de desenvolver a doença. Estudos anteriores também associaram a carne vermelha a uma infinidade de doenças, incluindo doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais e certos tipos de câncer.

Embora o novo estudo não tenha conseguido atribuiu uma causalidade entre os dois fatores, os investigadores descobriram que substituir uma porção diária de carne vermelha por nozes e legumes diminuiu o risco de diabetes tipo 2 em cerca de 30%. No entanto, os pesquisadores alertam que faltou diversidade de participantes no estudo, o que dificulta dizer se os resultados se aplicam a toda a população.

De todo modo, os investigadores acreditam fielmente que limitar o consumo de carne vermelha — mesmo sem eliminá-lo totalmente — pode ajudar a reduzir os riscos de complicações.

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