Par de calças com 3 mil anos é encontrado em tumba na China
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Par de calças com 3 mil anos é encontrado em tumba na China

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As calças que você pode ter vestidas neste momento já eram utilizadas, em um formato muito semelhante, há mais de 3 mil anos. A descoberta foi feita durante escavações de tumbas na porção oeste da China. Magnificamente conservados, os corpos de dois pastores nômades da Ásia Central — com idade entre 3 mil e 3,2 mil anos — foram encontrados vestindo as calças, o que sugere a utilização em período muito mais longínquo do que se acreditava até então.

Além das calças, ambos contavam entre seus pertences um machado de batalha, um bracelete de couro, rédeas decoradas (também de couro), um chicote, uma cauda de cavalo, uma bainha e um arco. Os dois teriam morrido com, no máximo, 40 anos de idade. Considerada a possível prática dos homens e a natureza das vestimentas, alguns pesquisadores especulam sobre o possível motivo para a adoção da vestimenta — um tanto incomum para os padrões da época.

Calças para cavalgar

De acordo com pesquisadores, a peça, encontrada no cemitério ancestral de Yahghai, teria sido desenvolvida para facilitar as cavalgadas — já que togas e túnicas não eram muito apropriadas para a atividade, por motivos óbvios —, promovendo maior liberdade de movimentos. As peças teriam sido concebidas pouco tempo depois dos primeiro registros do adestramento de cavalos de que se tem conhecimento.

A peça foi encontrada na chamada Bacia do Tarim, área rodeada por cordilheiras e a maior bacia hidrográfica endorreica (sem conexão com águas oceânicas) do mundo, onde se situam vários sítios arqueológicos particularmente prolíficos — cujos espólios normalmente encontram-se ricamente conservados, em razão da combinação de temperaturas altas e climas secos. Mais de 500 tumbas foram escavadas no local desde o início da década de 1970.

Reprodução/Science News (M. WAGNER/GERMAN ARCHAEOLOGICAL INSTITUTE)

A idade das peças encontradas com os cadáveres foi descoberta por meio de uma técnica conhecida como datação por radiocarbono. Entretanto, é possível que descobertas ainda mais antigas apareçam. Segundo a arqueóloga Margarita Gleba, da Universidade College London, as origens do adestramento dos cavalos ainda são bastante incertas e podem datar de mais de 4 mil anos.

Muito parecida com os modelos atuais

A despeito da idade “avançada”, a peça encontrada, de fato, não difere muito dos modelos atuais. Trata-se de calças confeccionadas em lã e compostas por três partes cosidas, sendo duas destinadas a cobrir as pernas e uma a virilha. O conjunto foi posteriormente rematado em um tear. Há também diversos ornamentos ao longo do tecido, todos igualmente bem preservados.

“Esse novo trabalho definitivamente reforça a ideia de que as calças foram inventadas para a montaria por pastores nômades e de que as calças foram trazidas à Bacia de Tarim por povos que cavalgavam”, disse o linguista e especialista em cultura chinesa Victor Mair, da Universidade da Pensilvânia — referindo-se ao artigo postado no Quaternary International.

Suspeita-se que os homens começaram a utilizar os cavalos como montaria por volta de 3,4 mil anos atrás, de tal forma que a confecção de calças teria surgido pouco depois, possivelmente em regiões a norte e a oeste da Bacia do Tarim. Entretanto, segundo Mair, peças ancestrais dessas localidades dificilmente seriam encontradas em bom estado de preservação.

Antes das calças do Bacia do Tarim

Anteriormente, acredita-se que nossos ancestrais utilizavam uma espécie um tanto mais primitiva de calça, com três partes independentes — conforme as roupas encontradas juntamente com o famoso homem de gelo Ötzi, cadáver com 5,3 mil anos encontrado por moradores dos Alpes orientais.

No que se refere ao formato atual da vestimenta, as descobertas mais antigas, conduzidas por Maior, datavam de 2,6 mil anos atrás, cujos vestígios foram encontradas com a múmia conhecida como Homem de Cherchen. Muito provavelmente, a peça encontrada era fabricada em lã.

De qualquer forma, conforme reforça uma equipe de arqueólogos liderada por Ulrike Beck e Mayke Wagner, do Instituto Arqueológico da Alemanha, a invenção das calças permanece como “uma conquista inovadora na história da confecção de roupas”. Por fim, agora você já sabe a quem deve aquele seu par de calças favorito.

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