Circoncélio: o antigo culto cristão de martírio e suicídio
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Circoncélio: o antigo culto cristão de martírio e suicídio

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O culto cristão Circoncélio surgiu logo no início do cristianismo, quando a religião era nova e poucas coisas a respeito dela estavam definidas; nessa época, surgiram diversas seitas ligadas ao cristianismo, e os Circoncélios eram um grupo extremista dentro da seita Donatista.

Eles percorreram o norte da África durante os séculos IV e V, eram em sua maioria camponeses iletrados e fizeram bastante estrago durante a sua busca incessante pelo martírio.  

Em busca do martírio

Eles acreditavam que o lugar no céu estaria garantido se fossem assassinados por uma pessoa religiosa ou de grande autoridade, então tentavam provocar a própria morte. Aqueles que já estavam determinados a alcançar o martírio andavam pela cidade com porretes enormes – que chamavam de israelitas – e atacavam alguém com a intenção de que a pessoa revidasse e os matasse, cumprindo assim o objetivo do martírio.

Naturalmente, nem sempre o plano “A” dava certo, por isso os Circoncélios tinham outras cartas na manga: eles invadiam rituais pagãos de forma absurdamente violenta, na tentativa de serem assassinados pelos membros; e se isso também não desse certo, então apelavam para o suicídio.

Praticamente todas as formas eram válidas. Quanto mais dolorosa a morte, mais dedicado era o futuro mártir. O único método totalmente fora de questão era o enforcamento, por ter sido o meio de suicídio de Judas – por isso não deveria ser copiado. 

Violência fora de controle

Embora o culto tenha começado com a ideia de garantir um lugar no céu por meio do martírio, seus membros eram bastante violentos e começaram a aproveitar o nome da ordem para impor suas visões e atacar as pessoas ferozmente, perdendo de vez o controle.

Eles passaram a se armar com muito mais do que seus porretes e percorrer os locais atacando e torturando membros da Igreja, roubando templos e chegando ao ponto de se proclamarem a verdadeira igreja cristã.

Como se toda essa violência já não gerasse antipatia suficiente, eles ainda eram extremamente contra a escravidão, não só defendendo a ideia de que os escravos tinham direitos, mas também os libertando sempre que possível.

Com tudo isso, os Circoncélios passaram a ser negados pela seita a que pertenciam, os Donatistas, e foram rechaçados pelo próprio Santo Agostinho. Em 411 d.C., o Donatismo foi definitivamente banido pela Igreja, o que fez com que, pouco depois – em torno de 20 anos –, os Circoncélios desaparecessem.

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