Por que há dúvidas sobre quem escreveu o Apocalipse?

Por que há dúvidas sobre quem escreveu o Apocalipse?

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O Apocalipse é considerado por muitos como o mais caótico e sombrio livro da Bíblia. Geralmente, é usado como prova para o fim dos tempos, sendo que já serviu de base para muitas teorias e previsões através dos séculos. Mas quem escreveu essas linhas cheias de dragões, morte, guerras e sofrimento?

Estima-se que o Apocalipse tenha sido escrito por volta do ano 96 a.C. na região da Ásia Menor. A maioria dos estudiosos acredita que um indivíduo conhecido como João, o Velho — e não São João, como normalmente é atribuído — seja o autor dessas linhas sombrias.

(Fonte: Gsfdcy/Reprodução)

O próprio Apocalipse fala sobre João estar na ilha de Patmos, região que fica situada na costa da Ásia Menor. Ele estava por ali "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus" (Ap 1,10). Essa expressão, basicamente, significa que suas crenças o levaram a ser exilado na região.

Porém, há estudiosos que dizem que talvez o “João” estivesse por ali fazendo uma espécie de pausa em seu ciclo de pregações.

João, mas que João?

A autoria do livro do Apocalipse gera dúvidas em parte dos estudiosos seculares pelo simples fato de que “João” era um nome muito comum naquela época. Porém, a maior parte das igrejas que se baseiam no cristianismo afirma que o autor é São João, o discípulo mas chegado a Cristo e que também foi autor do quarto Evangelho.

É interessante observar que essa linha de raciocínio até que tem fundamento. Por exemplo, para escrever algo tão carregado e profundo sobre as bases do cristianismo ainda embrionário, assim como analisar fatores políticos (pouca gente sabe ou considera isso, mas o Apocalipse é uma das críticas mais intensas ao antigo Império Romano) e perspectivas de futuro para os adeptos dessa crença, seria preciso conhecer Jesus Cristo ou ao menos ter tido um contato muito próximo com as suas ideias. Sendo assim, quem melhor candidato que apóstolo preferido do pregador galileu?

A título de esclarecimento, João, o discípulo, realmente foi mandado para a ilha de Patmos durante uma perseguição promovida pelo imperador romano Domiciano, entre os anos 81 e 96.

Curiosamente, apesar de atualmente ser considerado um dos mais importantes livros da Bíblia, nem sempre ele esteve por ali. Na realidade, ele já entrou e saiu várias vezes da versão oficial do Livro Sagrado. Ele não estava lá no Concílio de Laodiceia (364), mas apareceu nos de Hipona e Cartago entre os anos 393 e 419. Anos depois, em 692, tornou a sumir no Concílio de Trullo, para voltar na versão mais recente do livro.

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