Irmãos Rebouças: os primeiros engenheiros negros do Brasil

Irmãos Rebouças: os primeiros engenheiros negros do Brasil

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A influência provavelmente surgiu do convívio com um personagem que os acompanhava desde a infância. O pai, Antônio Pereira Rebouças, foi um importante advogado negro que atuou em um papel de destaque sendo conselheiro de Dom Pedro II.

Considerados os primeiros homens afrodescendentes brasileiros a ingressarem na Universidade, os irmãos contribuíram com notoriedade para o desenvolvimento urbano do país. Ambos cursaram engenharia na Europa e retornaram ao Brasil para trabalhar na construção de estradas, ramo no qual eram especialistas.

Inicialmente, assumindo a incumbência de impulsionar o crescimento da província de Curitiba, participaram de projetos que foram fundamentais para a cidade. Segundo o jornalista e pesquisador, Jorge Narozniak, o primeiro trabalho dos Rebouças foi liderando a construção da Estrada da Graciosa que ligava o planalto ao litoral paranaense.

Desenvolvimento urbano

A construção da Estação Ferroviária de Curitiba, também orientada pelos irmãos, trouxe a cidade um intenso desenvolvimento. Surgiram novas ruas, como a famosa Rua da Liberdade, importantes prédios públicos, como o Palácio da Liberdade e o Palácio do Congresso, sedes do poder Executivo e Legislativo, respectivamente, além da instalação de fábricas nas proximidades da nova estação. Esse feito transformou esta região em uma área estratégica para a cidade.

Outras obras como o chafariz da Praça Zacarias, o Parque Nacional do Iguaçu e a ferrovia Paranaguá-Curitiba, considerada a maior obra férrea Nacional, foram heranças deixadas pelo trabalho destes irmãos, que evidenciam a importância histórica de ambos.

Além destas, André também foi responsável por projetos grandiosos na cidade do Rio de Janeiro tais como o plano de abastecimento de água da cidade, a construção das docas da Alfândega e das docas D. Pedro II.

O envolvimento com a luta abolicionista

Em 1874, diante da tristeza pela morte do irmão Antônio, André se envolve nas lutas contra o trabalho escravo no Brasil. Participando da fundação de sociedades abolicionistas de destaque, como a Sociedade Brasileira contra a Escravidão e a Sociedade Abolicionista, foi uma das vozes mais prestigiadas nessa luta, ao lado de Olavo Bilac e Machado de Assis.

Após a assinatura da abolição pela Princesa Isabel e o acirramento dos conflitos que desencadearam na proclamação da República, André, que era fiel a monarquia, partiu para o exílio na Europa junto com a família real. Perturbado pelo exílio e pelo estado de saúde debilitado, morre aos 60 anos, na Ilha de Madeira, sem nunca mais ter voltado ao Brasil.

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