Arte em pedra revela desenhos raros de fauna australiana

Arte em pedra revela desenhos raros de fauna australiana

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Um novo estilo de arte em pedra foi encontrado no sítio histórico de Arhem Land, a região mais antiga a ser habitada na Austrália. De acordo com os pesquisadores, a descoberta oferece novas informações sobre a rica cultura australiana e sobre a ecologia local, visto que boa parte das figuras retratam animais.

O norte da Austrália é conhecido pela sua vastidão de desenhos em cavernas, que trazem informações de milhares de anos atrás. Para a pesquisadora da Universidade de Griffith, Sally May, o estilo encontrado em Arhem é muito diferente das demais regiões do país e, portanto, foram batizadas de “pinturas Maliwawa”.

Figuras Maliwawa

(Fonte: Universidade de Griffith)
(Fonte: Universidade de Griffith/Reprodução)

Durante diversos anos de análise da região, May e o professor Paul Taçon descobriram 572 pinturas em 87 sítios arqueológicos diferentes que se encaixavam na descrição das pinturas Maliwawa. Os desenhos, na maioria das vezes, retratavam membros da família dos cangurus, mas também poderiam representar figuras humanas realísticas e outros animais.

Em entrevista Sally afirmou ser muito difícil determinar a data exata de cada gravura, visto que elas eram extremamente comuns em Arhem Land e os trabalhos mais recentes eram feitos em cima dos mais antigos.

Após analisar as camadas de arte, os pesquisadores estimam que possam datar de um período entre 6 mil a 9,4 mil anos atrás. 

Conexão com a natureza

(Fonte: Universidade de Griffith)
(Fonte: Universidade de Griffith/Reprodução)

Nas figuras retratadas, é possível ver humanos vestindo uma variedade de adereços na cabeça enquanto os animais parecem olhar ou participar de uma espécie de ritual local junto deles. “Enquanto que nas pinturas dinâmicas (tradicionais nas cavernas) 89% das vezes retratam seres humanos, nos Maliwawas isso só ocorre em 42% das pinturas”, pontuou Taçon.

Isso demonstra como os indivíduos que habitavam a região de Arhem Land tinham um forte contato com a natureza e suas criaturas. O sítio arqueológico também é conhecido por possuir o desenho mais antigo de um dugongo — mamífero marinho que não faz parte da fauna local.

Além disso, um desenhos parece claramente retratar um bilby-grande, uma espécie de marsupial ameaçada na Austrália. Segundo Sally, isso pode significar que essas criaturas um dia fizeram parte deste habitat, mas foram sumindo com o tempo em decorrência dos impactos do homem na natureza.

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