O pioneirismo de Juliano Moreira na psiquiatria brasileira

Nossas emoções e psique são testadas frente aos desafios da pandemia de covid-19 e mesmo antes dela, a comunidade científica busca há anos amenizar algumas doenças psiquiátricas como a esquizofrenia e transtorno bipolar afetivo, cujo sintomas são semelhantes às doenças modernas de um mundo acelerado com alterações claras de humor, energia e atividade.

O que Juliano Moreira, nascido em 6 de Janeiro de 1872, negro e filho de uma trabalhadora doméstica em lar aristocrático, tem a ver com tudo isso? E por que o Google prestou uma homenagem a este homem?

Pioneiro em seu ramo

Em curiosa e popular enquete, sem fins ou critérios de pesquisa, Juliano Moreira foi confundido com jogador de futebol, cantor, compositor, político e outras, mas só em um último momento, uma pessoa afirma: “Juliano Moreira, foi o introdutor da disciplina de psiquiatria no Brasil”. A pergunta seguinte foi: “Senhor, qual sua formação? “, “Sou psiquiatra!”, respondido em alto e bom som.

Um brasileiro, ainda sob a sombra da Lei do Ventre Livre, com méritos reconhecidos pelo Barão de Itapuã, formou-se em Medicina aos 18 anos. Após sua formação, tornou-se membro da Academia Brasileira de Ciências e ao longo de sua carreira, dedicou-se a vários ramos da área, especialmente as doenças psiquiátricas, com seus estudos sendo baseados na psicanálise de Sigmund Freud.

(Fonte: Wikipedia/Arquivo Nacional/Reprodução)
(Fonte: Wikipedia/Arquivo Nacional/Reprodução)

Porém, ele também teve influências do alemão Emil Kraeplein, que afirmava que as doenças psiquiátricas provinham de desordens biológicas e genéticas, em contraposição a Freud, que acredita que tais enfermidade advinham de fatores psicológicos. 

Podemos dizer que Juliano, foi um excelente “driblador”, pois se punha entre duas referências enquanto introduzia o ramo da psiquiatria no universo da medicina brasileira.

Contribuições importantes

Moreira procurava atingir um processo de tratamento eficaz, e seus avanços no ramo incluíram a menção e incorporação da teoria psicanalítica no ensino médico durante sua época como professor universitário no país. 

Além disso, combateu o racismo científico praticado no Brasil por outros profissionais que afirmavam que a miscigenação, nossa maior característica, era responsável para “degeneração” do povo brasileiro.

De forma lúdica ou formal, o reconhecimento de Juliano Moreira, ícone brasileiro, tem um legado exemplar a ser seguido. A homenagem feita nos faz revisitar a necessidade de conhecer nossa própria história.

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