'Menina Sem Nome': o túmulo mais visitado do Brasil

Foi em 23 de junho de 1970 que a lenda mais marcante de Recife começou, quando o cadáver de uma menina foi encontrado na Praia do Pina pelo vendedor de coco Arlindo José da Silva. A garotinha estava com o rosto afundado na areia e suas mãos estavam amarradas às costas.

O homicídio horrorizou os moradores da capital pernambucana e se tornou notícia por todo o país. A princípio, Arlindo foi preso como suspeito de ter cometido o crime, mas foi solto 6 dias depois quando as investigações da polícia apontaram para o mecânico Geraldo Magno de Oliveira.

(Fonte: Tricurioso/Reprodução)(Fonte: Tricurioso/Reprodução)

Logo em seguida, o homem confessou o crime em depoimento à polícia, relatando que convidou a menina para passar a noite com ele em troca de 5 cruzeiros. De acordo com Oliveira, quando ele disse que não tinha troco, a menina começou a xingá-lo, então ele cometeu o crime.

Por outro lado, pouco tempo depois o réu declarou que todo o seu depoimento foi encenado, inclusive o que ele disse sobre a reação da garota e o que o levou ao crime. Ele teria inventado toda a história após ser coagido e torturado pela equipe da polícia. Assim que sua prisão preventiva foi decretada, Oliveira foi assassinado na cadeia antes de ser julgado.

Graças alcançadas

(Fonte: Uol/Reprodução)(Fonte: Uol/Reprodução)

Enquanto isso, os investigadores tentavam resolver o segundo e mais intrigante mistério: a identidade da vítima. De acordo com a matéria do UOL, ninguém foi reclamar o sumiço da menina durante as duas semanas em que o corpo dela ficou no Instituto de Medicina Legal (IML) de Recife, apesar de toda a repercussão do caso.

Sendo assim, com a autorização da Secretaria de Segurança Pública, a garota foi enterrada como indigente em 3 de julho de 1970, no Cemitério de Santo Amaro. Acompanhada por uma procissão de pessoas que se comoveram com seu trágico fim, a vítima ficou conhecida como "Menina Sem Nome".

(Fonte: Uol/Reprodução)(Fonte: Uol/Reprodução)

E não demorou muito para que a natureza perversa de sua morte se transformasse em uma lenda, quando os moradores locais começaram a espalhar que tiveram seus pedidos realizados pela garota após visitarem seu túmulo. De acordo com as histórias, você pode pedir desde desejos de conquistas materiais até a cura de pessoas doentes.

À medida que a lenda da "Menina Sem Nome" foi se espalhando, seu túmulo se tornou um dos mais conhecidos e visitados do país, com pessoas vindo de todos os cantos do mapa para depositar doces, flores, brinquedos, perfumes e também milhares de cartas com agradecimentos após terem suas preces ouvidas. 

"A história está enraizada na cultura de Pernambuco. O caso deixou de ser um fato jornalístico e se tornou lenda a partir da história da exumação e dos milagres", disse Adriano Portela, jornalista produtor do documentário sobre a lenda.

As visitas ao túmulo aumentam de maneira exponencial principalmente a cada 2 de novembro, quando é comemorado o Dia de Finados.

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