Tarcísio Meira: relembre a carreira do grande ator que faleceu aos 85 anos

Nesta quinta-feira (12), o Brasil perdeu um de seus maiores artistas: Tarcísio Meira. O ator tinha 85 anos e faleceu por complicações da covid-19. Ele e sua esposa, a atriz Glória Menezes, haviam recebido duas doses da vacina CoronaVac e contraíram a doença. Enquanto ela teve sintomas leves e segue se recuperando no hospital, Tarcísio Meira desenvolveu um quadro mais grave e, infelizmente, não resistiu. 

Antes de relembrar a carreira do ator, afinal, as obras de Tarcísio Meira permanecem vivas, mesmo que ele se vá, é importante explicar que o debate sobre a vacina tomou conta das redes sociais desde que o ator foi internado. Sobre isso, sabe-se que nenhuma vacina evita 100% dos casos de uma doença, pois o intuito é controlar a transmissão e diminuir a gravidade dos casos, bem como das mortes. 

Dito isso, os especialistas já estão observando a possibilidade de que algumas vacinas sejam menos eficazes em pessoas com mais de 80 anos — indicando a necessidade de que essa faixa etária receba um reforço, inclusive com outro medicamento. Ainda assim, as pesquisas estão em andamento e isso é algo que a ciência vai responder. No entanto, esse não é o momento de politizar a morte de uma pessoa tão querida para familiares, amigos e fãs. 

Vamos, então, relembrar a carreira de um dos maiores atores do Brasil?

Tarcísio em sua última novela, Orgulho e Paixão, de 2018 (Imagem: Rede Globo/Reprodução)Tarcísio em sua última novela, Orgulho e Paixão, de 2018. (Imagem: Rede Globo/Reprodução)

Tarcísio Meira: um senhor galã

Quem é mais jovem vai lembrar de Tarcísio Meira como um senhor — afinal, a idade chega para todos, né? Seu último trabalho foi na novela Orgulho e Paixão, de 2018, na qual ele interpretou um nobre inglês rígido e retrógrado, o Lorde Williamson. Porém, ele foi afastado das gravações por problemas de saúde, e seu personagem acabou sendo substituído.

Antes disso, um dos trabalhos mais interessantes da fase "mais madura" de Tarcísio foi na novela A Favorita, de 2008, em que ele interpretou um homem que foi separado de sua amada na juventude, mas que a reencontra depois. O par, claro, era com sua esposa Glória Menezes, com quem ficou casado por mais de 60 anos e teve um filho, o também ator Tarcísio Filho. 

Dois anos antes, Tarcísio Meira também arrasou na novela Páginas da Vida como Tide, um homem que perde sua querida esposa — de novo ela, Glória — e busca outros motivos para seguir em frente, encontrando até um novo amor na terceira idade. Mesmo mais velho, quem assistiu a essas novelas sabe que Tarcísio tinha uma imponência em cena, bem como a envergadura de um ator que foi galã durante décadas. 

Tarcísio e Glória em Tarcísio e Glória em A Favorita, de 2008. (Imagem: Rede Globo/Reprodução)

O estereótipo do galã de novelas

Recentemente, eu assisti à Tieta, de 1989, no Globoplay. Tarcísio Meira não faz essa novela, mas uma das personagens, a jovem Elisa, vivia dizendo que sonha em conhecer o galã da Globo e tinha até sonhos com ele — isso que ele já tinha seus 55 anos na época. Com o fim de Tieta, comecei a assistir à Roda de Fogo, de 1986, e dá para ver nitidamente que Tarcísio realmente era um grande galã. 

A questão é que, especialmente em Roda de Fogo, é possível muito bem ver que não foi só a beleza que fez Tarcísio Meira se destacar, o ator tinha também um enorme talento. Essa novela marcou um dos seus papéis mais emblemáticos: Renato Vilar — um protagonista que era um pouco vilão. O público estranhou ver Tarcísio como um homem frio e rude, mas ele fez o papel com maestria. Ao longo da história de Roda de Fogo, o personagem se redime de suas maldades, e Tarcísio conseguiu transmitir todas essas nuances de transformação.

Mas foi na década de 1970 que ele solidificou sua posição como um dos principais galãs da TV brasileira, com seguidas novelas das oito em que fazia par com sua esposa, Glória Menezes. E, quando eu falo seguidas, são mesmo: Tarcísio e Glória emendavam uma na outra. 

Tarcísio Meira como Renato Vilar, em Tarcísio Meira como Renato Vilar, em Roda de Fogo, de 1986. (Imagem: Rede Globo/Reprodução)

Presença cativa nas telinhas

Tudo começou com Irmãos Coragem (1970), onde ele interpretou o mocinho João Coragem, que encontrava um diamante e ficava a novela inteira lutando para preservá-lo, desafiando o maldoso coronel — pai da personagem de Glória, a mocinha. Na novela seguinte, O Homem que Deve Morrer, ele foi o médico bondoso Ciro Valdez e ela a ex-esposa do vilão, Ester. 

Depois de Selva de Pedra (que deu um descanso para Tarcísio, já que o galã era Francisco Cuoco), ele emendou mais duas: Cavalo de Aço e O Semideus. Nessa segunda, a ideia era colocar Meira e Cuoco juntos, porém o primeiro roubou a cena, fazendo dois homens sósias, sendo que um substitui o outro, supostamente morto. Depois de O Semideus, houve mais um descanso (Fogo Sobre Terra) e Tarcísio voltou em Escalada, que mostrava várias décadas da vida e da trajetória profissional de Antônio Dias. 

Depois, Tarcísio fez mais alguns "mocinhos" (em Os Gigantes, Coração Alado e Brilhante), mas também buscou outros desafios que ficassem longe desse estereótipo. Em Guerra dos Sexos (1983), ele fez um personagem cômico atrapalhado e inseguro, Felipe, que depois vive um romance divertido com a personagem dela mesma, Glória. Porém, o ápice do esforço para não ser "apenas" um galã veio mesmo em Roda de Fogo

Mesmo com tantos protagonistas, Tarcísio teve oportunidade de mostrar diferentes talentos: em Irmãos Coragem e Cavalo de Aço ele era um justiceiro simples; em O Homem que Deve Morrer, um médico culto; em O Semideus, até fez dois papéis; e, em Escalada, trouxe um personagem mais "gente como a gente". Os outros personagens das décadas seguintes só reforçaram o grande talento de Tarcísio Meira. 

Tarcísio Meira jovem, em Tarcísio Meira jovem em Irmãos Coragem, de 1970. (Imagem: Rede Globo/Reprodução)

Além das novelas, ele também é lembrado por minisséries — como A Muralha, de 2000, onde roubou a cena como o terrível vilão Jerônimo Taveira — e por algumas participações no cinema — como em Eu te Amo, O Beijo no Asfalto, Eu e Independência ou Morte

Descanse em paz, Tarcísio Meira!

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