Locusta: a história da assassina pessoal do Imperador Nero

Há 2 mil anos, Roma viveu um constante estado de guerra entre imperadores e imperatrizes. A principal "arma" escolhida pelas partes era sempre o veneno. Por ser mais discreto que as demais ferramentas, uma pessoa poderia ser facilmente envenenada sem que ninguém tomasse culpabilidade pelo crime.

E, nesse ponto, uma mulher ficou conhecida por suas habilidades, o nome dela era Locusta da Gália. Nos arquivos históricos, pouco se sabe sobre sua personalidade — exceto pelo fato de que era uma assassina nata. Ao longo dos anos, Locusta mostrou ter muitos dons com o manejo de substâncias e logo se tornou uma assassina particular para o notório Imperador Nero.

Chegada a Roma

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Vinda da Gália, atual território francês, Locusta trouxe consigo diversos tipos de veneno para a capital do Império Romano. Não há arquivos concretos sobre como ela teria ido parar naquele lugar, mas há suspeitas de que ela possa ter sido levada como escrava após a campanha de Júlio César em sua terra natal.

Em Roma, conquistou o reconhecimento da corte imperial e passou a circular entre figuras nobres da sociedade, sempre sendo usada como uma arma. Segundo algumas fontes, Locusta teria ajudado a Imperatriz Agripina a assassinar seu próprio marido, o Imperador Cláudio.

Locusta teria sido a responsável por desenvolver o veneno que foi colocado, por servos, na comida de Cláudio. Como a substância demorou para fazer efeito, Agripina certificou-se de que seu marido fosse envenenado por uma segunda vez. A morte do imperador permitiu que Nero, filho de Agripina em outro casamento, pudesse assumir o trono de Roma.

Arsenal de venenos

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Na Roma Antiga, a maioria dos venenos tinham fórmulas com arsênio, beladona e cogumelo cicuta verde. O envenenamento não havia sido algo único realizado por Agripina e, em determinado momento, parecia ser até mesmo uma epidemia entre os romanos.

O próprio Imperador Nero, por exemplo, tinha tanto medo de ser atacado por alguém que carregava consigo um veneno mortal para cometer suicídio caso estivesse sendo alvo de algum ataque brutal. Aliás, Nero e Locusta tornaram-se muito próximos após a morte de Cláudio.

Suspeito de que seu meio-irmão Britânico, filho do ex-imperador, pudesse lhe atacar, Nero solicitou os serviços de Locusta para acabar com a vida de seu rival. Nero teria prometido perdão para a envenenadora, que havia longo histórico criminal, caso ela conseguisse entregar a mistura mortal a tempo.

Aumento de testes

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

De alguma forma, o produto criado por Locusta não conseguiu matar Britânico. Furioso, Nero chegou a esbofetear a mulher e ordená-la a testar substâncias ainda mais poderosas e letais em pessoas inocentes até que os dois conseguissem atingir o objetivo final de acabar com a vida do meio-irmão — o que, de fato, aconteceu.

Após o sucesso da missão, Locusta foi promovida a envenenadora oficial do imperador e pediu para que ela ensinasse a arte dos venenos a outros estudantes. Em geral, Locusta era vista como uma mulher oportunista que se apoiou no Império Romano para alavancar uma carreira e não ser sucateada.

Enquanto alguns creem que ela era somente uma escrava forçada a criar venenos, outros indicam que ela sempre teve gosto pela coisa e se aproveitava das ordens de Nero para matar mais pessoas.

Fim da linha

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Em 68 d.C., Nero acabou cometendo suicídio. Como ele havia prometido proteger Locusta de outras pessoas da sociedade romana, em sua ausência a envenenadora ficou completamente exposta. Quando Galba assumiu o trono, uma de suas primeiras ordens foi mandar prendê-la. Diversas pessoas associadas a Nero foram levadas à cadeia, incluindo Locusta. Como punição por seus crimes, ela foi arrastada pelas ruas de Roma e, em seguida, foi executada em praça pública. 

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