Por que as pessoas negam a existência do purgatório?

Por meio milênio, aqueles que acreditam em Jesus e Deus têm discutido, excomungado e até matado uns aos outros para defender o conceito de um estado intermediário entre o Céu e o Inferno: o purgatório.

Existem textos, diários e cartas da Idade Média em que pessoas relataram visões sobrenaturais de um reino repleto de tormentos destinadas às almas que precisam acertar suas contas antes de seu destino. Nesse mundo, os pecadores eram vistos sendo devorados por serpentes ou perfurados com pregos flamejantes por demônios, enquanto gritavam e relinchavam de dor.

No entanto, há 30 anos, desde o Concílio Vaticano II em 1962, a existência de um purgatório não têm sido mencionado em livros ou sermões. Mas esse reino de penitência ainda é alvo de debates.

O conceito

(Fonte: Wikipedia/Reprodução)(Fonte: Wikipedia/Reprodução)

Foi o filósofo católico Agostinho de Hipona que determinou a existência de um purgatório, que não é mencionado na Bíblia Sagrada, em meio aos extremos de Céu e Inferno que perseguem e permeiam boa parte da trajetória da humanidade desde o século I d.C., considerada a Era Cristã.

O conceito desse reduto de dor, penitência e sofrimento que é o purgatório, apareceu em obras extra-canônicas, incluindo passagens em que as pessoas oravam pelas almas dos mortos, como no Livro de Macabeus. No Antigo e Novo Testamento é sugerido um plano intermediário onde as almas simplesmente existem antes de serem enviadas para o Céu ou Inferno, onde podem também receber orações dos vivos para serem "purificados de seus pecados".

Foi em meados do século XIV que a Igreja Católica acrescentou oficialmente a doutrina do purgatório ao seu dogma, decidindo por sua existência, através do Concílio de Florença. Foi nessa mesma época em que Dante fez sua discrição poética e alegórica do purgatório em sua obra, Divina Comédia.

Conflito de ideias

(Fonte: Wikia/Reprodução)(Fonte: Wikia/Reprodução)

Em um artigo de 2001 da Décima Igreja Presbiteriana, o autor Rick Phillips aponta que os versículos que os católicos acreditam sugerir a possibilidade do purgatório foram mal interpretados ao longo dos séculos.

Para ele, o purgatório vai contra a fundação do próprio protestantismo, pois nega a doutrina bíblica da justificação somente pela fé. “De acordo com a Bíblia, somos salvos de nossos pecados por confiar em Jesus Cristo como nosso Salvador. Nossos pecados são levados pela morte de Cristo na cruz”, escreve ele.

(Fonte: Aleteia/Reprodução)(Fonte: Aleteia/Reprodução)

Por outro lado, o professor de teologia histórica da London School of Theology, escrevendo para a revista britânica Premiere Christianity, observou que os conceitos de purgatório e justificação pela fé não são apenas mutuamente exclusivos, e que os cristãos protestantes fariam bem em considerar essa possibilidade no meio do caminho entre o Céu e Inferno.

“Se você morresse e fosse para o Céu hoje, estaria pronto para estar 'frente a frente' de um Deus perfeito?”, indaga ele. “Certamente, nossos pecados foram perdoados e permanecemos justos aos seus olhos, mas a formação de nosso caráter poder ser um processo mais longo”.

E no que você acredita?

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