Por que o corporativismo sustentável tem falhado?

Por todos os ramos da indústria, o mundo parece estar em um movimento de guinada em direção à sustentabilidade. Empresas automotivas têm se tornado elétricas, a indústria de embalagens passou a usar mais plástico compostável, marcas de roupa passaram a ser "amigas do meio ambiente" e por aí vai.

Ao apoiar esse tipo de empresa, as pessoas estariam colaborando para a criação de um futuro sustentável. No entanto, não é bem assim que as coisas vêm acontecendo. De acordo com um novo estudo produzido pela Universidade da Califórnia, a indústria sustentável anda esbarrando em dificuldades para se estabelecer como algo concretamente eficiente.

Sustentabilidade corporativa

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Segundo Roland Geyer, que divulgou o resultado de sua pesquisa no livro The Business of Less (2021), o conceito de sustentabilidade corporativa passa pela tentativa das empresas em reduzir os impactos ecológicos de seus produtos ao mesmo tempo em que conseguem elevar a lucratividade.

Nesse cenário, não só a indústria sairia vitoriosa como o meio ambiente e a sociedade também. Entretanto, as coisas têm sido bastante diferentes nos bastidores. "A quantidade anual de coisas que produzimos e a energia que consumimos disparou ao longo do século XX e continuou crescendo nos primeiros 20 anos deste século", explicou Geyer.

Para o pesquisador, a matemática sustentável montada pelo comércio simplesmente possui uma conta que não fecha. Embora a humanidade tenha "ganhado" ao consumir produtos mais eficientes, todos esses ganhos foram eclipsados pela enorme quantidade de bens produzidos todos os anos e a quantidade de energia necessária para realizar tal operação.

Comportamento do consumidor

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Se não bastassem as operações industriais não serem tão efetivas assim, o comportamento consumista das pessoas parece causar grande estrago. De acordo com o estudo, ao passo que os indivíduos começaram a adquirir mais produtos "eco-friendly", um efeito rebote passou a existir.

E o que isso significa? O consumo cresceu por toda a parte. Por mais que alguns produtos sustentáveis causem menos danos ao planeta, o uso excessivo gerado por seus usuários tem feito com que qualquer benefício gerado seja jogado fora. A evidência disso pode ser vista nas crescentes emissões de gases do efeito estufa (GEE) todos os anos.

Para Geyer, o corporativismo sustentável teve mais de três décadas para se provar, mas até então não mostrou nenhum resultado de fato eficiente. Segundo ele, existia uma grande expectativa quando essas ideias foram lançadas no mercado na década de 1990, mas até agora nada foi correspondido.

Diminuição no consumo

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Para que a economia e a sociedade continuem em crescimento exponencial, a ideia de consumir menos pode ser algo difícil de aceitar entre os empreendedores. Porém, Geyer afirma que essa deve ser a nossa saída para os próximos anos e para que de fato o comércio possa ser chamado de sustentável. 

“Precisamos de novas narrativas sobre o que é uma vida boa", afirmou. Dessa forma, empresas precisariam reconhecer quais são suas prioridades para criar um mundo saudável e indivíduos necessitariam aprender a ser felizes com menos. Por conta disso, o pesquisador sugere que mais dinheiro seja gasto em serviços do que em produtos, uma vez que os hábitos tradicionais já se mostraram ineficientes.

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