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Multidões que matam: 3 episódios mais mortais da História

Para que multidões se tornem mais mortais que um automóvel em alta velocidade, é preciso apenas de dois fatores: superlotação e desespero. Por vezes, o excesso de pessoas se torna apenas um agravante em meio ao caos que pode desencadear quando os indivíduos se sentem ameaçados por algum motivo.

No último 5 de novembro, tivemos uma representação disso durante o festival Astroworld, comandado pela estrela do rap Travis Scott, que reuniu no NRG Park, em Houston (Texas, EUA) uma plateia de 100 mil pessoas. No entanto, a gama de problemas e negligências aconteceu bem antes de os visitantes cruzarem os portões do local.

A arena escolhida para sediar o evento já era conhecida por dezenas de problemas de hiperlotação e, somados com falta de segurança e de suporte necessários para o primeiro evento dessa magnitude realizado nos Estados Unidos desde o início da pandemia, ele se tornou uma bomba com os minutos contados para explodir. Horas antes do início do show, milhares de pessoas conseguiram entrar no local por diversas brechas menosprezadas pela produção, diminuindo ainda mais o espaço já escasso.

(Fonte: G1/Reprodução)(Fonte: G1/Reprodução)

Meia hora depois de Scott ter subido ao palco, às 21h30, as primeiras pessoas foram dadas como mortas por conta do caos que se instalou no local. Pessoas presentes disseram que drogas em seringas estavam sendo aplicadas involuntariamente nas pessoas, além das brigas por espaço e empurra-empurra.

O resultado foram, pelo menos, 8 pessoas mortas, com idades entre 14 e 27 anos, e milhares ficaram feridas no local. “Foi um inferno”, disse Nick Johson, 17, em depoimento ao The New York Times. “Todo mundo que estava atrás tentava correr para frente do palco”.

Mas isso não foi nada em comparação aos desastres que já aconteceram envolvendo multidões.

1. Iroquois Theatre (Chicago, EUA)

(Fonte: Chicago Tribune/Reprodução)(Fonte: Chicago Tribune/Reprodução)

Em 30 de dezembro de 1909, exatamente 1.700 pessoas, entre crianças e adultos, ocuparam o Iroquois Theatre, em Chicago, para assistir ao musical Mr. Bluebeard. Toda a emoção se tornou desespero logo no começo do segundo ato, quando um curto-circuito em um arco de luz incendiou as cortinas e rapidamente atingiu os cenários da produção — sendo que o teatro foi considerado totalmente à prova de fogo quando foi construído, em 1903.

Em questão de minutos o teatro se tornou um inferno de chamas, despertando o desespero das milhares de pessoas reunidas no local. Eddie Foy, o protagonista da peça que conseguiu se salvar, relatou que aconteceu uma debandada louca e animalesca das pessoas, e ali mesmo elas já começaram a morrer, bem antes de serem sufocadas pelas chamas.

A luta de milhares de pés esmagaram crianças e adultos que não conseguiram chegar a tempo até as saídas de emergência devido ao incessante empurra-empurra. Muitas pessoas foram imprensadas contra as portas, e seus corpos formaram montanhas que impossibilitaram a saída de outras pessoas. 

Naquele dia, 602 visitantes perderam a vida.

2. Grande Mesquita de Meca (Meca, Arábia Saudita)

(Fonte: Poder360/Reprodução)(Fonte: Poder360/Reprodução)

A peregrinação muçulmana obrigatória que ocorre uma vez na vida de cada religioso em direção à Meca, é considerado um dos eventos mais inspiradores — e também perigosos. Isso ficou comprovado com o desastre de 2015, quando 2 milhões de pessoas se reuniram ao redor da Grande Mesquita, na Arábia Saudita.

O caos começou quando essa turba de gente, que se movia em direções opostas através de ruas, passagens e becos, se encontrou em um cruzamento e acabou culminando em um grande caos incontrolável. Muitas pessoas morreram onde estavam, outras foram arrastadas por quilômetros pela multidão.

Em uma tentativa desesperada, alguns subiram nos outros e também nas pilhas de cadáveres que foram se formando. No final do dia, cerca de 2,4 mil pessoas tinham morrido, ultrapassando o recorde de 1990, quando 1,4 mil pessoas perderam a vida em um túnel de pedestres lotado durante a peregrinação.

3. Festa da Libertação (Jerusalém, século I)

(Fonte: SlidePlayer/Reprodução)(Fonte: SlidePlayer/Reprodução)

Conforme o livro A Guerra dos Judeus, escrito pelo aristocrata do século I, Titus Flavius Josephus, que abrangeu o período de 69 anos, de Herodes a Nero, a Páscoa Judaica que aconteceu naquela época foi o maior desastre de todos os tempos.

O autor escreve que um dos romanos armados que guardava o templo judeu, teve a “grande ideia” de insultar os fiéis durante o ato religioso. O resultado foi uma multidão furiosa exigindo que o soldado fosse repreendido.

Contudo, antes que qualquer medida fosse tomada, alguns fiéis decidiram resolver o problema por conta própria, gerando caos para a situação. Quando mais guardas armados desciam para o templo, milhares de pessoas tentavam escapar correndo para a cidade, causando um pisoteamento em massa.

Segundo Josephus, cerca de 10 mil pessoas morreram, transformando uma festa em motivo de luto para toda a nação, com cada família lamentando a perda de seus entes queridos.

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