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Ernie Chambers: o homem que processou Deus

Em 2007, alguns membros da legislatura do estado do Nebraska, nos Estados Unidos, tentaram banir o uso do litígio frívolo (utilização de processos judiciais com aparente desconsideração do mérito dos próprios argumentos). Mas o político Ernie Chambers acreditava que essa era uma tentativa equivocada e que o acesso ao sistema judicial não deveria ser restringido, e sim aberto para todos, ricos e pobres. 

"A constituição exige que as portas do tribunal sejam abertas, então você não pode proibir o ajuizamento de processos", disse Chambers, de acordo com a Associated Press. "Qualquer um pode processar quem quiser, até mesmo Deus".

E foi assim que começou. Para elucidar e dramatizar seu ponto de vista, o político decidiu abrir um processo judicial formal contra Deus no tribunal distrital do Condado de Douglas em setembro daquele ano, alegando que o acusado era responsável por "morte generalizada, destruição e aterrorização de bilhões de habitantes da Terra".

E, por incrível que pareça, Chambers teve seu dia diante de uma corte.

O primeiro, mas não o único

Ernie Chambers. (Fonte: Lincoln Journal Star/Reprodução)Ernie Chambers. (Fonte: Lincoln Journal Star/Reprodução)

Em agosto de 2008, o juiz Marlon Polk, do Nebraska, presidiu o processo de Chambers, mas rapidamente rejeitou a ação antes que a corte pudesse entrar em sessão. Polk arquivou o caso alegando que o réu, Deus, "não pôde ser igualmente servido devido a seu endereço residencial não listado", segundo a Associated Press.

Chambers rebateu alegando que o próprio tribunal reconhecia a existência de Deus. Uma consequência desse reconhecimento era o entendimento de sua onisciência, visto que Deus sabe de tudo, inclusive notificou o próprio processo. Ainda assim, Polk negou o provimento ao processo, e o assunto foi encerrado.

Apesar de o protesto em prol da causa sempre ter sido o fator principal, Chambers foi motivado pelo fato de ser um anticristão nato. Ateu convicto, ele pulava as orações matinais durante a sessão legislativa, como notou a CBS News, e fazia duras críticas aos cristãos.

Mas ele não foi o único a se sentir injustiçado por Deus. No mesmo ano, um homem do Kansas pediu uma indenização de US$ 1 trilhão por Deus não ser "totalmente certo e não governar bem o mundo". O processo não foi muito longe antes de ser encerrado — como era de se esperar.

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