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Iron Maiden: o dispositivo que visava 'purificar' sua vítima

Sim, para você que não sabia, a banda formada em 25 de dezembro de 1975, pelo baixista Steve Harris, teve seu nome inspirado a partir de um instrumento de tortura medieval chamado “Iron Maiden”, traduzido como "donzela de ferro", que aparece na adaptação para o cinema do romance O Homem da Máscara de Ferro, escrito por Alexandre Dumas.

Temido por todos, o dispositivo surgiu na Idade Média, um período que acumulou relíquias e objetos aterrorizantes de tortura devido ao nível de barbaridade que determinava a época.

Traçar sua trajetória ao longo da História é se perder em um labirinto de contradições e fatos imprecisos que dificultam o entendimento de sua origem. A lenda inicial e mais famosa do objeto seria da Virgem de Nuremberg, um dispositivo adornado com um busto da Virgem Maria, utilizado contra os não crentes da época.

Nabis, o Usurpador                                       

(Fonte: LethbridgeNews/Reprodução)(Fonte: LethbridgeNews/Reprodução)

Dizem que uma Donzela de Ferro construída em Nuremberg, na Alemanha, foi muito empregada durante a Inquisição, projetada para não matar de vez, apenas prolongar a dor o máximo o possível com suas lâminas longas e afiadas posicionadas de modo que não causassem danos fatais ao corpo, a princípio.

O objetivo da máquina nunca foi a tortura da carne, mas do isolamento, escuridão e silêncio que existe entre as pontas afiadas. Na Idade Média, era o sadismo em sua mais pura versão. Para os inquisidores, a dor física era considerada libertadora e purificadora do pecado. Dentro daquele caixão de ferro cheio de estacas, o sofredor encontrava a absolvição de seus pecados.

(Fonte: Turbo Squid/Reprodução)(Fonte: Turbo Squid/Reprodução)

A primeira menção sobre a existência da máquina é atribuída ao historiador grego Políbio, que cobriu a História entre 220 a.C. a 146 a.C., em seu livro Apega de Nabis, no qual escreveu que a Donzela foi projetada pelo cruel e tirano Nabis, o Usurpador. Ele assumiu o governo da Lacedemônia após a morte de Machanidas, em 207 a.C., e consolidou seu domínio de punho de ferro na cidade-estado da Grécia Antiga da maneira mais cruel possível.

Ele teria pegado sua esposa Apega como inspiração para uma estátua medonha dela cravejada de lanças afiadas nos braços e no peito. Através de um sistema de interruptores, Nabis controlava a engenhoca sofisticada para que perfurasse as pessoas colocadas para morrer na sala com ela.

Na cultura popular

(Fonte: Fine Art America/Reprodução)(Fonte: Fine Art America/Reprodução)

A notoriedade da Donzela de Ferro foi culpa do historiador Johann Philipp Siebenkees (1759-1796), do século XVIII, que teria escrito um relato dramático e duvidoso de uma execução de um falsificador de moedas no século XVI no dispositivo — embora não seja possível saber se a máquina já existia, ou se era outra com nome semelhante.

Mas essa dúvida foi a única necessária para fazer a Donzela de Ferro criar raízes no imaginário popular. Ao longo do século XIX, com a grande leva de turistas interessados em histórias macabras, com o início das viagens internacionais, a Donzela de Ferro se tornou algo extremamente lucrativo, então várias versões delas foram feitas para agradar o público — ainda que um dispositivo de tortura medieval com o rosto da Virgem Maria fosse um verdadeiro escândalo para os valores da época.

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