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Catarina II da Rússia foi a precursora da montanha-russa moderna

Você gosta de montanhas-russas? Gosta de sentir seu corpo arrepiar enquanto espera na fila para embarcar em um carrinho conduzido apenas pelas forças da física, por vezes com subidas de mais de 50 metros de altura, loopings e inversões? Gosta daquele frio na barriga e o sacolejo dos trilhos reverberando através dos seus ossos?

Se sim, você já parou para pensar o porquê de embarcar em uma aventura, apesar de estar morrendo de medo de todas essas sensações que, ao mesmo tempo, deseja tanto sentir?

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(Fonte: Quotev/Reprodução)(Fonte: Quotev/Reprodução)

Como deixou claro o psicólogo e neurocientista Christian Jarrett, em uma matéria da Science Focus, as pessoas gostam de montanhas-russas graças aos efeitos positivos associados a um aumento maciço da excitação fisiológica na combinação de velocidade e conquista do medo.

A psicologia faz uma leitura livre desse anseio como “masoquismo benigno”, um fenômeno exclusivamente humano. Isso no caso das montanhas-russas, mas essas sensações também estão relacionadas ao prazer de assistir a filmes tristes ou assustadores, por exemplo. 

Além disso, esse prazer pode ser considerado distinto do que é sentido durante a prática dos esportes radicais, em que o medo e o risco do perigo são inteiramente reais, muito diferente de um brinquedo que você está 99% seguro — salvo raras exceções. 

Mas por que as montanhas-russas foram criadas?

Livrai-nos do mal

La Marcus Adna Thompson. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)La Marcus Adna Thompson. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Nos Estados Unidos de 1884, as montanhas-russas foram inventadas e implementadas para "salvar a nação da ameaça do demônio". Antes de Edwin Prescott causar uma revolução ao construir e patentear o primeiro looping, em 1898, o inventor e empresário LaMarcus Adna Thompson resolveu dar um fim na ascensão das diversões hedonistas daquela época, como bordéis e saloons.

(Fonte: Theme Park Insider/Reprodução)(Fonte: Theme Park Insider/Reprodução)

Temendo que a nação fosse chafurdar no pecado e causar um tipo de apocalipse, ele criou a Switchback Gravity Railroad, no parque de Coney Island, no Brooklyn (EUA), onde as pessoas poderiam dar um passeio por apenas 5 centavos.

Assim, Thompson foi considerado o "pai da montanha-russa americana", apesar de ela não ser em nada parecida com as de hoje. Naquela época, os carros faziam o percurso bem lentamente, a cerca de 9 km/h, e eram voltados para fora para que os visitantes apreciassem paisagens construídas ao longo do trajeto. Essas cenas, normalmente, emulavam belas paisagens pelo mundo, como os Alpes Suíços e os canais de Veneza.

A grande revolucionária

(Fonte: The Vintage News/Reprodução)(Fonte: The Vintage News/Reprodução)

Thompson, bem como os demais inventores que vieram depois dele, teve como base o primeiro modelo de montanha-russa da história, criado pelos russos no século XV, mais especificamente no modelo instalado na propriedade de Catarina II, da Rússia.

Os russos sempre foram famosos pela construção de tobogãs para andar de trenó na neve, criando escorregadores de madeira que atingiam até 21 metros de altura e 30 metros de comprimento, atravessando extensões de gelo, podendo alcançar até 80 km/h. Eles apelidaram esses escorregas de "montanhas deslizantes".

Foram os ricos e a realeza que fizeram da brincadeira primitiva algo mais sofisticado ao criarem canais de madeira repletos de gelo para aumentar a velocidade dos trenós, instalando-os em suas propriedades. Claro, a falta de tecnologia e estudo da época causaram milhares de acidentes, com pessoas, por vezes, voando para fora das calhas.

(Fonte: Wired/Reprodução)(Fonte: Wired/Reprodução)

Em meados de 1784, a imperatriz Catarina, a Grande, decidiu que precisava de uma versão de verão da montanha-russa, por isso construiu uma feita de madeira nos jardins do Palácio Oranienbaum, perto de São Petersburgo. Esta foi considerada o primeiro modelo de montanha-russa da história, porque tinha trilhos com ranhuras e carrinhos de madeira com rodas. Catarina chegou até a implementar uma estação de chá ao lado de sua criação para entreter as damas da corte após um pouco de diversão.

Foi assim que o brinquedo foi se espalhando pela Europa, principalmente no final do século XVIII e início do século XIX, até conquistar o mundo todo e se tornar um dos exemplos de radicalismo e diversão.

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