Certamente você já conheceu alguém no seu escritório ou na sua escola que claramente não está preparado para aquela função, mas que, mesmo assim, acredita ser a única pessoa competente para ela, não é mesmo? Isso não é exclusividade do seu mundinho: abra os horizontes e repare em quantos políticos que atuam sem saber nada de economia ou na quantidade de pessoas sem nenhum estudo específico querendo discutir ciência através de “achismos”.

Nos anos 70, o psicólogo John Flavell definiu que o conhecimento que as pessoas possuem sobre seus próprios processos cognitivos deveria se chamar metacognição. Esse ramo de estudo mostra que o indivíduo é capaz de pensar em uma determinada tarefa e de buscar os melhores caminhos para executá-la.

Acontece que muita gente tem essa metacognição em níveis estratosféricos! Em 1999, os psicólogos David Dunning e Justin Kruger publicaram um estudo intitulado “Não qualificado e inconsciente disso: como as dificuldades em reconhecer a própria incompetência levam a autoavaliações infladas”. Em sua pesquisa, Dunning e Kruger aplicaram uma série de testes para determinar como os voluntários viam suas próprias atitudes. Foram respondidos testes de lógica e de gramática, além de as pessoas contarem piadas supostamente engraçadas! Depois, elas tinham que avaliar como se saíram em cada um dos experimentos.

David Dunning e Justin KrugerDavid Dunning e Justin Kruger

O resultado foi algo que você já deve imaginar: os piores qualificados eram aqueles que mais superestimavam as próprias habilidades, enquanto aqueles que se saíram bem nos testes costumavam ser mais modestos em suas autoavaliações. A conclusão dos psicólogos foi de que a incompetência das pessoas é tão grande que isso faz com que elas nem sequer notem que são incompetentes!

Esse fenômeno acabou sendo chamado de “Efeito Dunning-Kruger”. E não pense que você está imune a ele, não: por mais que você tenha conhecimento em várias áreas, sempre vai existir um assunto que você acha que domina muito mais do que realmente o faz. O ideal é sempre se questionar se o seu conhecimento é realmente embasado em algo concreto ou é meramente através de “achismos”. Se você começar a fazer isso, meio caminho já estará andado.

Outro detalhe ressaltado pelos psicólogos é que, mesmo que a informação que você tenha seja baseada em algo, às vezes ela pode estar errada! Mesmo assim, é melhor se basear em algo que você conhece do que em meras especulações. Por isso, é sempre importante estar se atualizando.

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