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Austrália, lógico! Assista ao “parto” de centenas de aranhas supervenenosas

O que você faria caso se deparasse com uma bolotinha esbranquiçada em um canto meio escondido do seu jardim? Não daria a menor importância? Cutucaria o objeto para ver o que é? Pegaria a “coisa” com as mãos e examinaria o saquinho para descobrir do que se trata? Segundo Michelle Starr, do site Science Alert, um australiano esperto se viu nessa situação e a primeira coisa que ele fez foi acionar rapidamente as autoridades locais.

E por que tanto alvoroço por causa de uma coisinha de nada? De acordo com Michelle, o que o cara achou foi um saco contendo centenas de filhotinhos de aranha-teia-de-funil (Atrax robustus), uma aranha cuja picada pode matar um humano em apenas 15 minutos! Tá explicada a razão de tanta precaução, né? E você logo vai entender o motivo de o australiano ter contatado as autoridades em vez de simplesmente incinerar esses bichos incrivelmente venenosos e perigosos.

O “parto”

Depois de coletar o saco contendo as arainhas, um especialista assumiu a missão de abri-lo para ganhar acesso aos bichinhos. E por que a pessoa se deu ao trabalho de fazer isso? Porque não é sempre que as autoridades australianas tem a oportunidade de se deparar com uma quantidade tão grande de aranhas-teia-de-funil em uma única ocasião, e elas precisam desses aracnídeos para poder extrair o veneno e produzir o “antídoto” que evita que as vítimas de picadas morram. Assista ao “parto” a seguir:

Curiosamente, enquanto o veneno produzido pelas aranhas-teia-de-funil é extremamente mortal para os humanos, animais como cães, gatos e outros bichos que não pertencem à família dos primatas são cerca de 100 vezes mais resistentes às picadas do que nós. Assim, para produzir o soro, os especialistas coletam a toxina das aranhas e as injetam em coelhos — não se deixe enganar pela fofurice, caro leitor, pois eles são mais durões do que parece!

Segundo Michelle, isso não prejudica os coelhinhos em absoluto — e a presença da toxina em seus organismos faz com que os coelhos produzam anticorpos contra o veneno. Então, os especialistas coletam amostras de sangue dos animais, separam os anticorpos e, a partir deles, desenvolvem o soro que, quando aplicado em uma vítima humana, neutraliza a ação da toxina.

Antrax robustusPronta para o ataque! (Wikimedia Commons/Tirin)

Mas não pense que, mesmo assim, os acidentes com as aranhas-teia-de-funil não são pra lá de traumáticos. Conforme explicamos em uma matéria anterior aqui do Mega Curioso — que você pode conferir através deste link —, quando atacam, essas aranhas se agarram às vítimas com suas quelíceras, isto é, as estruturas que elas usam para injetar seu veneno e despedaçar as presas. E os “ferrões” são tão poderosos que são capazes de perfurar uma unha do pé. Ui...

Com relação aos sintomas da picada, se ela não matar o azarado que tiver a má sorte de ser atacado por uma aranha-teia-de-funil, o coitado sentirá formigamento na boca e língua, vai começar a salivar e a lacrimejar profusamente e sentirá espasmos musculares. Outras manifestações comuns são o vômito, hipertensão arterial e o acúmulo de fluidos nos pulmões. Tudo isso por causa do veneno de uma aranha que não passa dos cinco centímetros.

Por sorte, já faz décadas que nenhuma morte por picada de aranha-teia-de-funil é registrada na Austrália e, em parte, isso é graças a ações como a do australiano que encontrou o saco e imediatamente notificou as autoridades — o que, por sua vez, resultou na possibilidade de produção de muitas doses de soro.

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