Conheça os bajaus e sua incrível capacidade de mergulho
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Conheça os bajaus e sua incrível capacidade de mergulho

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Os bajaus são conhecidos como ciganos dos mares, vivem em palafitas – e em alguns casos, até mesmo em barcos – em ilhas nos arredores da Indonésia. Seu estilo de vida é único, e como habitam regiões remotas estão praticamente isolados do mundo, não sendo considerados habitantes de nenhum país. Já falamos um pouco sobre eles aqui no Mega.

A grande diferença de um bajau é seu estilo de vida. Vivendo sempre sobre o mar ou muito próximo dele, pescar é uma atividade natural, e em consequência o mergulho também. Para quem vive na cidade e tem pouco contato com piscinas ou mar, segurar a respiração por poucos minutos pode ser um desafio, mas para eles essa é uma atividade rotineira.

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Alguns deles conseguem se manter submersos por até 13 minutos, chegando a alcançar profundidades de 60 metros! O fato é que esse tipo de atividade é uma necessidade para a comunidade, pois facilita a pesca e a obtenção de materiais utilizados para artesanato.

Corpo adaptado ao mergulho

Passar tanto tempo submerso não é algo comum, e um estudo foi feito para tentar explicar essa capacidade. Nele foram encontrados indícios de modificação no DNA, que os levou ter um baço maior do que o normal, facilitando a submersão prolongada.

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Esse órgão é pouco conhecido, pois podemos até viver sem ele, mas sua existência auxilia na manutenção do sistema imunológico, além de reciclar os glóbulos vermelhos. Por meio de pesquisas anteriores, já se sabia do tamanho desproporcional do baço em animais que passam muito tempo submersos. Partindo dessa informação, a autora do estudo sobre os bajaus, Melissa Llardo, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague, foi até a região para analisar os ciganos, com o intuito de verificar se isso acontecia também em seres humanos.

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Através de aparelhos de ultrassom e análise de saliva, ela comparou as informações coletadas dos bajaus com os saluan, outro grupo de pessoas que moram na região da Indonésia, mas não têm o costume de mergulhar como eles. O resultado mostrou que os bajaus possuem um baço 50% maior do que o dos saluan. Uma análise mais profunda indicou uma modificação no gene PDE10A, que controla a produção de um hormônio que tem relação direta com o tamanho do baço.

Outros motivos

Além do baço avantajado, Richar Moon, da Escola de Medicina da Universidade de Duke, diz que as adaptações naturais do corpo humano podem colaborar para essa condição. Quando uma pessoa mergulha mais fundo na água, o aumento da pressão faz com que os pulmões se encham com mais sangue. Essa situação pode gerar uma hemorragia interna, causando a morte, mas quando existe um treinamento regular, o corpo consegue se adaptar.

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A pesquisa sobre os bajaus também tem um objetivo médico. A resposta do nosso corpo ao mergulho é semelhante a uma condição chamada hipóxia aguda, que se caracteriza pela rápida perda de oxigênio no corpo e causa mortes frequentes em salas de emergência. Entender como o corpo deles funciona seria importante para tentar evitar óbitos por esse motivo.

Como os bajaus vivem isolados, acabam sendo marginalizados e não dispõem dos mesmos direitos de quem vive em terra. Isso, aliado ao aumento da pesca industrial, que acaba diminuindo a oferta de peixes para sua subsistência, incentiva alguns deles a abandonar a vida no mar e morar no continente. Llardo teme que as lições transmitidas por esse povo no campo da saúde, e até mesmo sua existência, acabem não durando tanto tempo.

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