Monumento de 5 mil anos no Quênia ocultava quase 600 corpos humanos
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Monumento de 5 mil anos no Quênia ocultava quase 600 corpos humanos

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Quando falamos de cemitérios da Antiguidade, o mais comum é que a gente se recorde das grandes necrópoles ou pirâmides construídas pelos antigos egípcios. Afinal, eles foram os idealizadores de alguns dos monumentos funerários da História. Entretanto, eles não eram os únicos a planejar espaços para sepultar os seus mortos — e descobertas bem interessantes acabam de ser divulgadas sobre um desses locais, situado próximo ao Lago Turkana, no Quênia.

Monumento funerário

O cemitério em questão foi identificado sob um monumento de pedra conhecido como “Logatham North Pilar Site”, cuja datação por radiocarbono indicou que ele foi construído entre 4 mil e 5 mil anos atrás. Os “arquitetos” do sítio foram os integrantes de uma tribo que se dedicava a criar rebanhos na região e, conforme descobriram os arqueólogos, o local foi usado durante bastante tempo para o sepultamento dos mortos da comunidade.

Monumento funerário“Logatham North Pilar Site” (National Geographic/Katherine Grillo)

Apesar de ser menos majestoso do que a Grande Pirâmide de Gizé, o monumento é impressionante e consiste em uma plataforma elevada de pedra com mais ou menos 30 metros de diâmetro rodeada por colunas de basalto e calcário. O sítio em si não é nenhum desconhecido dos arqueólogos, já que ele vem sendo estudado desde a década de 60, mas essa é a primeira vez que um estudo detalhado do local é realizado.

No total, os arqueólogos encontraram por volta de 580 esqueletos humanos sepultados sob a plataforma de pedra, dispostos um do ladinho do outro, assim como uma vasta quantidade de adereços feitos de contas, pedras coloridas, marfim, casca de ovo de avestruz e dentes de animais.

Cemitério público

As análises indicam que o cemitério foi usado pela comunidade para enterrar geração após geração durante pelo menos 450 anos, e o mais fascinante é que a tribo não parecia seguir qualquer código social, sistema de casta ou obedecer hierarquias na hora de sepultar e homenagear os mortos.

Isso porque os arqueólogos não identificaram uma ordem específica relacionada à disposição dos corpos no cemitério e encontraram esqueletos das mais variadas idades, fossem eles bebês, crianças, homens, mulheres ou idosos, todos lado a lado, sem discriminação. E até os líderes tribais e monarcas foram identificados no meio do povão, o que indica que ninguém, nem mesmo os membros da elite, recebiam tratamento diferenciado na hora de serem sepultados.

Adereços funenráriosEstes são alguns dos adereços encontrados com os corpos (National Geographic/Carla Klehm)

Praticamente todos os esqueletos foram encontrados com os adereços coloridos que mencionamos acima e, entre os corpos, os arqueólogos encontraram um usando um enfeite na cabeça composto por mais de 400 dentes de roedor, enquanto outro cadáver foi sepultado com pulseiras feitas com dentes de hipopótamo, e outro, ainda, com um uma tiara produzida com caninos de animais.

Segundo os pesquisadores, o monumento representa um dos maiores — senão o maior — cemitério da Antiguidade descoberto na África Oriental, e eles acreditam que um grande número de pessoas se reunia ali para acompanhar os rituais funerários que ocorriam no monumento. Aliás, conforme teorizam, essas ocasiões possivelmente serviam para que os membros das comunidades fortalecessem laços sociais e a identidade cultural do grupo.

Quem eram essas pessoas?

De acordo com os estudiosos, entre 4 mil e 5 mil anos atrás, o Quênia sofreu uma mudança climática que resultou na redução das chuvas na região. Consequentemente, rolou uma diminuição das águas do Lago Turkana, o que acabou resultando em uma retração das margens. Com isso, novas planícies férteis acabaram surgindo, atraindo humanos e seus rebanhos.

Artefato antigoArtefato encontrado no monumento (National Geographic/Katherine Grillo)

Com o estabelecimento dos agrupamentos nos arredores do lago, as comunidades foram forçadas a desenvolver novas tecnologias e estratégias de sobrevivência. E, com o tempo, outras culturas foram florescendo na região — e foi nesse contexto que o cemitério acabou sendo construído. Fascinante, não é mesmo?

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