Egípcios começaram a mumificar seus mortos muito antes do que se pensava
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Egípcios começaram a mumificar seus mortos muito antes do que se pensava

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Quando o assunto são as múmias egípcias, o mais normal é que a gente associe esses corpos preservados à época dos faraós. Na realidade, esse pensamento não difere muito do que os especialistas dedicados a estudar o Antigo Egito acreditavam, visto que, até onde se sabia com base em descobertas arqueológicas, a pratica da mumificação teria surgido por volta do ano 2,2 mil a.C., e atingido seu ápice mais ou menos em 1 mil a.C.

No entanto, uma pesquisa recente revelou que as técnicas de mumificação foram desenvolvidas pelos antigos egípcios muito, muito antes disso. A descoberta aconteceu depois de um time de cientistas — das universidades de York, Macquarie, Oxford, Warwick, Trento e Turin — realizarem uma série de análises em um corpo mumificado que se encontrava no Museu Egípcio de Turim, na Itália, e concluíram que ele foi submetido ao processo de preservação há 5,6 mil anos, ou seja, 1,5 anos antes do que apontava o consenso anterior.

Testes e mais testes

A múmia em questão — conhecida como “S. 293” — pertence a um homem que faleceu entre os 20 e os 30 anos de idade entre os anos de 3,7 mil e 3,5 mil a.C., e fazia parte do acervo do museu desde 1901. O legal desse corpo especificamente é que, apesar de estar a há mais de um século “guardado”, ele, como artefato, nunca recebeu qualquer tratamento moderno de preservação. Além disso, se pensava que esse cadáver havia passado por um processo natural de mumificação, ao ficar exposto aos rigores do deserto egípcio quando foi sepultado.

Múmia egípciaEsse foi o carinha de 5,6 mil anos examinado (The Conversation)

Isso significa que essa múmia especificamente era a candidata ideal para os testes que os pesquisadores conduziram. E o que eles fizeram exatamente? Ademais de uma detalhada investigação visual no corpo e nos materiais têxteis encontrados envolvendo o corpo, os cientistas submeteram várias amostras à datação por radiocarbono, à análise química por meio da cromatografia líquida e espectrometria de massa, assim como pela pirólise e dessorção térmica, e a análises de metagenômica, para detectar possíveis patógenos.

Tecido antigoFragmento do tecido que envolveu o corpo da múmia (The Conversation)

Nós aqui do Mega vamos ser bem sinceros com você... A gente não sabe como esses exames todos — com nomes pra lá de complicados! — funcionam exatamente, mas eles confirmaram a idade da múmia e revelaram a presença de elementos químicos usados pelos antigos egípcios no processo de mumificação.

Precursores

Mais precisamente, os testes estabeleceram que os tecidos usados para envolver o corpo foram embebidos com uma mistura de óleos vegetais, uma resina de uma planta conífera (que foi cuidadosamente aquecida antes da aplicação), extratos aromáticos e uma goma vegetal rica em açúcares — uma mescla que, segundo os cientistas, tinha propriedades preservantes e bactericidas.

Tecido antigoVestígios de antiga receita (The Conversation)

O mais legal é que, de acordo com os pesquisadores, essa receita é basicamente a mesma que os mumificadores usavam 2,5 mil anos depois, quando o costume de preservar cadáveres atingiu seu ápice no Antigo Egito. Outra coisa interessante é que o local em que a múmia foi descoberta indica que a prática de mumificar os mortos também ocorria em uma região muito mais abrangente do que a estabelecida anteriormente.

A crença é a de que os antigos egípcios começaram a desenvolver suas impressionantes técnicas de preservação depois de notar como o clima árido e quente do deserto acabava por mumificar os corpos dos mortos. Entretanto, para a surpresa dos estudiosos, a criação das receitinhas e métodos para embalsamar os cadáveres aconteceu muito antes do que o que se imaginava.

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