Conheça a história do garoto que construiu um reator nuclear no quintal
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Conheça a história do garoto que construiu um reator nuclear no quintal

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Todo mundo conhece aquele adolescente tímido e nerd — que manda superbem em matérias como matemática, física e química, que e tem hobbies peculiares —, não é mesmo? Esse é mais ou menos o caso de um rapaz de Detroit chamado David Charles Hahn, um garoto quietão que, ainda pequeno, já começou a mostrar um interesse fora do comum em Ciência, sentimento que se transformou em paixão depois que seu avô deu a ele um livro sobre experiências e reações químicas.

E o menino curtia pôr a mão na massa! Tanto que David chegou a montar um pequeno laboratório no porão de casa, equipado com tubos de ensaio, pipetas, bicos de Bunsen — um equipamento usado para aquecer soluções — e todo tipo de parafernália que normalmente encontramos nesses ambientes. Como ele conseguia grana para isso? Entregando jornais e fazendo pequenos bicos pela vizinhança.

Jovem gênio

David, em vez de brincar com pólvora e coisas do tipo, aprendeu a produzir nitroglicerina, e aos 12 anos já “devorava” livros de química de nível universitário. Certa vez, o garoto chegou a sofrer uma overdose de cantaxantina — um pigmento usado pela indústria alimentícia — e ficado laranja feito uma cenoura, e provocado um pequeno incêndio durante um acampamento com seu grupo de escoteiros ao tentar produzir fogos de artifício.

David Charles HahnDavid Charles Hahn (Daily Mail/Eagle & Eagle Production)

Entretanto, as experiências do garoto se mantiveram mais ou menos vigiadas e sob controle até o dia em que uma delas resultou em sua casa pegando fogo — incidente que levou sua mãe a obrigá-lo a transferir o laboratório para o barracão no quintal que a família usava como depósito.

No entanto, depois de anos realizando experiências químicas, David deve ter ficado entediado e decidiu desenvolver um novo projeto. O garoto tinha 17 anos de idade na época, e queria ganhar novos distintivos como escoteiro, então resolveu construir um reator nuclear. Apenas. Ele levou cerca de dois anos para montar a engenhoca — e conseguiu todas as informações necessárias se fazendo passar por um professor de física e contatando a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA. Apenas.

Escoteiro nuclear

O (inocente) pessoal dessa agência governamental ensinou a David o passo a passo de como construir o reator e, para conseguir o material radioativo para botar o dispositivo para funcionar, o garoto “professor de física” começou a enviar pedidos de amostras a diversas organizações e laboratórios. Bem, estamos falando de algo que se passou nos anos 90, quando as coisas eram muito diferentes de hoje em dia...

Garoto ruivoDavid em seu "laboratório" (OBB Pictures)

David também comprou uma variedade de lanternas e relógios antigos, desses que brilham no escuro, já que esses itens continham pequenas quantidades de rádio, e baterias de lítio. E como se não bastasse, ele conseguiu adquirir um pouco de urânio da (então) Tchecoslováquia! Enfim, o fato é que o adolescente conseguiu montar o reator e colocar a engenhoca em funcionamento, mas, após alguns dias, David fez uma leitura e descobriu que os níveis de radiação em sua casa estavam aumentando perigosamente. Um mês mais tarde, o garoto detectou anomalias a vários metros de sua residência.

Descontaminação nuclearO "laboratório" após ser descoberto pelas autoridades (Daily Mail/Eagle & Eagle Production)

Assustado — e consciente de que estava colocando a vida de outras pessoas em risco —, David decidiu desmantelar o dispositivo. Aí, enquanto o garoto carregava seu carro com as peças, alguns vizinhos viram a atividade, acharam tudo muito suspeito e resolveram chamar a polícia. Foi só então que todo mundo descobriu o que estava rolando na casinha do fundo quintal, e que a engenhoca podia ter espalhado radiação em uma área ocupada por 40 mil pessoas!

Material radioativoEle apenas construiu e desmantelou um reator no quintal (Daily Mail/Eagle & Eagle Production)

Sim, caro leitor, rolou estresse e processos, mas as acusações foram retiradas, o material radioativo coletado e a área do "laboratório" declarada livre de contaminação. David, mais tarde, acabou entrando para a Marinha dos EUA — com o objetivo de trabalhar com reatores nucleares, mas não deixaram! —, onde serviu por 4 anos. Depois, ele passou outros 3 anos como Fuzileiro Naval, e infelizmente faleceu há 2 anos. De câncer, por causa do seu passado como escoteiro nuclear?  Não... David morreu em consequência de uma intoxicação alcoólica, aos 39 anos, sem ter desenvolvido todo o seu potencial.

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