Pesquisadores detectam receptores de odor nas células da língua

Pesquisadores detectam receptores de odor nas células da língua

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Apesar de evidências anteriores sugerirem que paladar e olfato enviavam sinais separados que depois se uniam e formavam nossa percepção de comida, uma equipe de cientistas do Monell Chemical Senses Center, instituto científico independente localizado na Filadélfia, propôs em uma pesquisa inédita que os dois sentidos se cruzam antes de chegar ao cérebro. Isso significa que os receptores olfativos, aqueles que detectam cheiros, estão presentes também nas células da língua, de forma que tais sentidos são capazes interagir.

"Esse passo me deixou surpreso e empolgado. Meu laboratório é o único no mundo capaz de cultivar células de sabor in vitro com propriedades moleculares e fisiológicas completas. No entanto, essa descoberta é completamente inesperada e fornece novos caminhos de pesquisa para os cientistas", disse o biólogo celular do Monell e autor sênior do estudo, Mehmet Hakan Ozdener.

Para o estudo, a equipe produziu células gustativas utilizando métodos genéticos e bioquímicos. Após análises, descobriram que elas tinham moléculas importantes encontradas em células olfativas. Em seguida, os pesquisadores utilizaram uma imagiologia de cálcio, técnica que demonstra o status de cálcio de uma célula isolada, e perceberam que as células da língua têm relação com o olfato.


Imagem: Reprodução/Pexels/Pixabay

"Sabe-se que receptores olfativos e receptores gustativos — responsáveis pelas sensações salgadas, doces, azedas ou amargas — estão em dois locais anatômicos diferentes. Acredita-se que a interação entre essas duas sensações gustativas e olfativas independentes ocorra centralmente, na região da ínsula anterior do cérebro. No entanto, com esse estudo, demonstramos que a interação entre olfato e paladar pode ocorrer na periferia, nas células gustativas", explicou Ozdener.

Para o cientista, a pesquisa pode mudar a relação das pessoas com os alimentos: "A presença de receptores olfativos funcionais nas células gustativas pode apontar para novas direções na manipulação do sabor dos alimentos para reduzir o risco de obesidade extrema, controlando excessos em indivíduos geneticamente predispostos".

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