A Segunda Guerra Mundial e a revolução da cirurgia plástica

A Segunda Guerra Mundial e a revolução da cirurgia plástica

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Antes da Segunda Guerra Mundial, pouco se sabia sobre o tratamento de queimaduras graves e suas complicações, e muito menos sobre a reabilitação e reintegração social de pacientes com queimaduras. Este cenário mudou quando o cirurgião plástico e consultor da Royal Air Force Archibald McIndoe montou no hospital Queen Victoria em East Grinstead (Sussex, Inglaterra), uma unidade de cirurgia plástica com novas técnicas para o gerenciamento e reconstrução de queimaduras. Nesta unidade, o médico ajudou seus pacientes não apenas com cirurgias plásticas, mas também com apoio psicológico para que eles se reintegrassem na sociedade com a  formação do famoso Guinea Pig Club.

Foto: The Guinea Pig Club

Cirurgia plástica pioneira nos aviadores da Segunda Guerra Mundial

Após o início da Segunda Guerra Mundial, McIndoe assumiu uma posição no Queen Victoria Hospital, onde estabeleceu um Centro de Cirurgia Plástica e Maxilar. O Centro tratou os aviadores com desfigurações faciais e queimaduras graves. Muitos deles chegaram ao hospital com queimaduras profundas no rosto e nas mãos, causadas pela explosão de combustível de suas aeronaves.

Durante a Batalha da Grã-Bretanha, 35 pilotos de caça terrivelmente queimados foram enviados ao Queen Victoria Hospital para tratamento. O tratamento padrão para queimaduras graves nesse primeiro momento era cobrir as feridas com ácido tânico, pois a ideia era que esse medicamento secaria a área afetada e permitiria a remoção da pele morta. No entanto, esse processo com ácido era extremamente doloroso e deixava os aviadores com diversas cicatrizes.

McIndoe observou que dentre os pilotos que chegaram ao hospital, os que pularam no mar para se salvarem estavam menos assustados que os combatentes que não saltaram na água salgada. Após esta observação, ele deixou de utilizar o tratamento com ácido tânico e passou a banhá-los em soro fisiológico. Este tratamento além de ser menos doloroso, diminuiu o tempo de cicatrização e também as taxas de sobrevivência dos afetados com queimaduras extensas.

Além de desenvolver tratamentos e técnicas cirúrgicas inovadores, Sir Archibald Hector McIndoe com um conhecimento instintivo e extraordinário de psicologia, reconheceu que a reabilitação de um queimado era tão importante quanto a reconstrução de seu corpo físico, e sua abordagem terapêutica passou a ser mental e física.

Foto: The Guinea Pig Club

Assim, ele incentivou seus pacientes a formarem o ' Guinea Pig Club ' e garantiu que eles mantivessem sua identidade e orgulho usando seus uniformes de serviço em vez de pijamas de hospital. A ênfase principal foi colocada na reintegração social e na volta à vida normal destes homens, o médico juntava-se regularmente a eles em eventos sociais dentro do hospital, os levava para tomar uma bebida e os encorajava a sair para a comunidade. O efeito foi incrível e as relações entre pacientes e enfermeiros floresceram. Muitos se casaram com funcionárias e outros conheceram mulheres de East Grinstead, um lugar que eles chamavam de 'a cidade que nunca olhou'.

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