Novos estudos sugerem que vulcões de Marte expelem lama

Novos estudos sugerem que vulcões de Marte expelem lama

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Um estudo liderado por cientistas da Academia Tcheca de Ciências de Praga sugere um comportamento um tanto familiar das formações geomorfológicas de Marte, indicando que as erupções vulcânicas do Planeta Vermelho lançam fluxos contínuos de rochas fundidas e lama, assim como ocorre com o magma terrestre. Apesar do pouco conhecimento sobre os fluxos de materiais subterrâneos no planeta e a real importância dos rios de lama para os movimentos de erupção, os resultados foram bastante conclusivos.

A análise veio após a simulação de uma atmosfera marciana, em que certa quantidade de lama foi posta para fluir em uma encosta arenosa sob uma fria temperatura de -8 °C e condições viáveis de pressão atmosférica, apesar de os cientistas não conseguirem recriar a gravidade local, que seria cerca de 40% mais forte que a da Terra. 

"Sob a baixa pressão atmosférica de Marte, os fluxos de lama se comportam da mesma maneira que a lava pahoehoe ou ropy, que é familiar dos grandes vulcões do Havaí e da Islândia", disse Petr Brož, autor do projeto. "Nossas experiências mostram que mesmo um processo aparentemente simples como o fluxo de lama, algo que muitos de nós experimentamos desde crianças, seria muito diferente em Marte".

(Fonte: Petr Brož/Reprodução)(Fonte: Petr Brož/Reprodução)

Assim como acontece com a lava após ser expelida, a lama observada teve sua camada superficial solidificada, criando um grande e resistente envoltório congelado que protegia a substância interna, correndo naturalmente em seu estado líquido e continuando o fluxo de movimentação do material. Isso surpreendeu a equipe, que esperava que tanto o material interno quanto o externo estivessem congelados após serem submetidos a temperaturas tão baixas.

Após a conclusão de que ambos os casos de lama e lava ocorrem em território marciano, a nova tarefa é descobrir quais dessa substâncias estão sendo propriamente expelidas pelas crateras locais, indicando que outros planetas podem ter comportamentos parecidos com os da Terra.

"Mais uma vez, verifica-se que diferentes condições físicas sempre devem ser levadas em consideração ao se observar características aparentemente simples da superfície de outros planetas", esclareceu o cientista do Instituto de Pesquisa Planetária de Berlim e coautor da pesquisa, Ernst Hauber. "Agora sabemos que precisamos considerar lama e lava ao analisar certos fenômenos de fluxo".

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