Girinos bizarros têm sua espécie descoberta — e ela está ameaçada

Num estudo publicado na última quarta-feira (2), cientistas do centro de pesquisas ZSL (Zoological Society of London) propuseram a solução para um dos quebra-cabeças zoológicos mais intrincados: saber qual tipo de sapo um girino se torna quando adulto. 

A resposta, simples no Reino Unido onde existem quatro espécies, se torna praticamente impossível no Vietnã, local onde a pesquisa foi realizada, que conta com mais de 270 espécies diferentes.

Os pesquisadores da ZSL, uma renomada organização que trabalha na vanguarda da ciência da conservação, trabalharam em parceria com a Indo-Myanmar Conservation, The Australian Museum e Hoang Lien National Park nas florestas montanhosas do Vietnã e conseguiram identificar girinos de seis espécies de sapos-de-chifres. 

Qual girino é qual sapo?

Fonte: Tapley/ZSL/ReproduçãoFonte: Tapley/ZSL/Reprodução

No começo de suas vidas, os sapos protagonizam uma das metamorfoses mais fantásticas do reino animal, ao se transformarem de pequenos vermes com cauda e sem membros em anfíbios saltadores de quatro patas. Esse upgrade com certeza dificulta o trabalho dos cientistas.

Líder da pesquisa, o curador de Répteis e Anfíbios da ZSL Benjamin Tapley explica que "Os sapos e seus girinos não parecem nada um com o outro, mas é importante conhecer qual girino se torna qual sapo". O objetivo da pesquisa é identificar os locais que podem ser criadouros de espécies que estejam necessitando de proteção.

A equipe de pesquisa coletou dados geográficos, tirou fotos, fez medições morfológicas de girinos e comparou seu DNA com amostras de adultos de diversas espécies conhecidas de sapos. Foram identificadas seis espécies, todas pertencentes ao gênero Megophrys, conhecido como sapos-de-chifres asiáticos.

As características das espécies descobertas

Fonte: Tapley/ZSL/ReproduçãoFonte: Tapley/ZSL/Reprodução

A pesquisa revela que os girinos de sapo-de-chifres têm uma aparência extraordinária. Seus aparelhos bucais são altamente especializados e permitem que os bichinhos, que têm guelras, consigam se alimentar de pequenas partículas suspensas na superfície da água, o que é uma característica incomum nas outras espécies de girinos.

Tapley reconheceu que "quanto mais estudamos os sapos-de-chifres asiáticos, mais aprendemos como eles são diversos e estão ameaçados". Para o pesquisador, o grande problema é que esses anuros habitam algumas das florestas mais exploradas e degradadas do planeta.

E conclui: "Algumas das espécies que descobrimos nos últimos anos são encontradas apenas em uma área muito pequena, o que as torna inerentemente vulneráveis à extinção por perda de habitat". 

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