Bebês recebem tratamento à base de cocô materno

Bebês recebem tratamento à base de cocô materno

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Pesquisadores da Universidade de Helsinque, na Finlândia, descobriram uma forma inusitada de melhorar a imunidade dos bebês nascidos de cesariana: alimentá-los com pequenas quantidades de fezes da mãe. O método foi descrito em um estudo publicado na revista científica Cell Press, no dia 1º de outubro.

Diferente dos nascidos de parto normal, os de cesárea não têm contato com microorganismos fecais da mãe. Assim, eles deixam de ser expostos a bactérias com papel essencial no desenvolvimento do sistema imunológico.

Com a microbiota intestinal enfraquecida, esses bebês são mais suscetíveis a desenvolver doenças como alergias, asmas e diabetes tipo 1, além de outros problemas que podem surgir na vida adulta.

(Fonte: Unsplash)
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Tentando corrigir o problema, a equipe do professor do Centro de Pesquisa Pediátrica da Universidade de Helsinque Sture Andersson sugeriu um método diferente para restaurar a microbiota. Conforme o pesquisador, alimentá-los com uma porção mínima de fezes da mãe, diluídas no leite materno, poderia estimular o surgimento das bactérias intestinais.

Resultados positivos

Os especialistas selecionaram sete mães voluntárias para o estudo, que tiveram material fecal coletado três semanas antes do parto, para verificar a presença de patógenos.

Após o nascimento, cada bebê recebeu 3,5 miligramas das fezes maternas, misturadas ao leite. Eles tiveram a microbiota intestinal testada ao nascer e passaram por novos testes em dois dias, uma semana, duas semanas e três meses.

(Fonte: Unsplash)
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Terminado o período, os pesquisadores notaram que a microbiota dos bebês que receberam o material fecal era semelhante à dos nascidos de parto normal. Eles chegaram à conclusão depois de comparar dados coletados no Hospital Universitário de Helsinque e também um conjunto de informações globais.

“Isso não foi projetado como um estudo de segurança, mas descobrimos que é eficaz e apoia o conceito de transferência vertical da mãe para o bebê”, comentou o especialista do Programa de Pesquisa de Microbioma Humano da Universidade de Helsinque Willem de Vos, coautor da pesquisa.

Não faça por conta própria

Apesar dos resultados satisfatórios e da possibilidade de adoção da prática no futuro, os autores fizeram um importante alerta às gestantes.

Segundo eles, esse tipo de experimento só deve ser feito em ambiente clínico, pois o material fecal precisa passar por testes “quanto à segurança e adequação”.

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