Antigo fragmento do Oceano Pacífico é encontrado a 643 km sob a China

Um fragmento do Oceano Pacífico foi encontrado a aproximadamente 643 quilômetros abaixo da China. O vestígio do antigo leito marinho, que se estende por centenas de quilômetros abaixo do continente, surge como um registro de um dos fenômenos mais significativos do planeta Terra, conhecido como subdução de placas tectônicas.

Segundo artigo publicado na revista Nature Geoscience, a laje rochosa é um pedaço da litosfera oceânica, formada pela crosta e algumas partes externas do manto superior, onde há a presença de fragmentos de placas tectônicas capazes de se movimentar lentamente na superfície, causando encontros e choques ocasionais. É então que surge a possibilidade de ocorrer o processo geológico de subdução, evento causado após o impacto das placas litosféricas de forma que uma se sobreponha à outra, resultando em um empurrão de uma delas para o interior da Terra.

(Fonte: Qi-Fu Chen/Academia Chinesa de Ciências)
(Fonte: Qi-Fu Chen/Academia Chinesa de Ciências)

Antes das pesquisas realizadas sobre o fragmento do Oceano Pacífico, cientistas acreditavam que a profundidade máxima que um pedaço subduzido poderia alcançar era de 200 quilômetros. Porém, graças a uma rede com mais de 300 estações sísmicas espalhadas pela China, foi possível investigar dimensões de até 660 quilômetros abaixo da superfície terrestre, captando a zona em que a laje foi encontrada.

Anomalias detectadas na placa de imersão 

Os sensores chineses foram capazes de identificar duas descontinuidades de velocidade sísmica, relacionadas com os lados superior e inferior da placa de imersão. “Com base nas análises sismológicas detalhadas, foi interpretado que a descontinuidade superior era a Descontinuidade de Mohorovicic da laje abduzida”, disse o geólogo Qi-Fu Chen, da Academia Chinesa de Ciências. “A menor descontinuidade provavelmente ocorreu devido o derretimento parcial da sublaje da astenosfera sob condições hídricas, na porção da laje voltada para o mar.”

As imagens obtidas pela equipe permitiram não somente o alcance a novos territórios em direção ao interior da Terra, mas também o melhor entendimento sobre a subdução, incluindo o impacto que o choque de placas causa nos fragmentos e o seu processo de desidratação após deixar a crosta oceânica.

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