O misterioso ano em que a Lua sumiu do céu finalmente é explicado

O misterioso ano em que a Lua sumiu do céu finalmente é explicado

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O ano de 1110 foi marcado por um fenômeno completamente inusitado que atingiu a atmosfera da Terra. Durante esse período, uma nuvem rica em partículas de enxofre viajou por toda a estratosfera, fazendo com que a Lua desaparecesse do céu por meses ou até mesmo anos.

O evento pode ser confirmado após pesquisadores perfurarem e analisarem amostras retiradas das partes profundas de geleiras, as quais costumam armazenar aerossóis de enxofre produzidos por erupções vulcânicas que atingem a estratosfera e depois acabam voltando à superfície.

Desvendando a escuridão

(Fonte: Wikimedia Commons)
(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Apesar do gelo conseguir preservar evidências de vulcanismo por longas datas, apontar um momento preciso para o acontecimento dos eventos pode ser um assunto um tanto mais complicado. Para esse caso específico, os cientistas optaram por realizar associações com outros acontecimentos históricos.

De acordo com o estudo, os depósitos sulfurosos teriam sido deixados para trás por uma gigantesca erupção do Hekla, um dos vulcões mais ativos da Islândia e que foi apelidado de “Portões para o Inferno”. Como o gelo analisado apresenta as maiores taxas de depósito de enxofre no último milênio, a hipótese parece plausível.

Já na visão do paleoclimatologista da Universidade de Genebra, Sébastien Guillet, a participação do Hekla é pouco provável, visto que as amostras de enxofre também podem ser encontradas no gelo antártico. Dessa forma, o Monte Asama, que produziu longas erupções ao longo de 1108 também poderia entrar na equação.

Sumiço da Lua

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay/Reprodução)

Segundo os dados da NASA baseados em retrocálculo astronômico, sete eclipses lunares foram observados na Europa entre 1100 e 1120. Entre eles, o ocorrido em maio de 1110 teria sido o mais intenso. Na época, um observador registrou em texto a escuridão excepcional da Lua naquele ano.

“Na quinta noite do mês de maio, a Lua apareceu no início da tarde brilhando forte. Porém, aos poucos sua luz foi se apagando, de maneira que, assim que a noite chegou, ela havia sido completamente apagada. Nem sinal de luz, nem sombra ou qualquer outra coisa para ser vista”, relatou na Crônica de Peterborough —  um manuscrito feito na Inglaterra.

Desde então, muitos astrônomos tentaram desvendar o motivo para o estranho período de escuridão, que só foi ser associado com as atividades vulcânicas um milênio depois do ocorrido.

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