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Graham Bell: um dos responsáveis por criar o detector de metais

Foi em meados de 1830, que o geólogo britânico e engenheiro de minas R.W. Fox percebeu que a eletricidade era capaz de fluir através de minérios metálicos mesmo quando eles ainda estavam na terra. Ele então usou uma bateria com várias hastes de metal ao redor e um pedaço de fio para tentar passar uma corrente elétrica entre duas hastes através do solo. Os testes de Fox deram certo e ele ficou conhecido como o primeiro a ter sucesso no uso de eletricidade para encontrar metais na terra.

Com isso, os anos finais do século XIX foram marcados pelo crescente interesse de engenheiros e cientistas de usarem a teoria elétrica para criar dispositivos que localizassem metais, principalmente com o intuito de usá-los para encontrar rochas que continham minério.

Muitos até conseguirem conceber algumas máquinas, porém eram rudimentares, nada práticas, gastavam muita bateria e funcionavam apenas em um grau limitado. Até que em 1874, o inventor francês Gustave Trouvé criou um instrumento portátil que localizava e extraía objetos de metal, e ficou conhecido como o primeiro protótipo de um detector de metal. 

Mas foi o “pai” do telefone o responsável por transformar os princípios da invenção.

Disparos na estação

James Garffield. (Fonte: History/Reprodução)
James Garffield. (Fonte: History/Reprodução)

Charles Guiteau era conhecido por ser um advogado fracassado e teólogo amador que vivia em Illinois, região centro-oeste dos Estados Unidos, em 1881. Na manhã de 2 de julho daquele ano, ele estava sentado na sala de embarque da estação ferroviária de Baltimore e Potomac, em Washington, enquanto tinha os seus sapatos de fivela engraxados.

A todo o momento, ele olhava para os lados, especificamente em direção à porta, porque esperava por um homem: James Garfield, o então presidente dos Estados Unidos. Quando finalmente o político atravessou a porta da sala de embarque, Guiteau se levantou e efetuou dois disparos contra o homem com o revólver que carregava. Ele fez isso porque era uma pessoa perturbada que acreditava que o presidente o devia por ter ganhado a eleição, coincidentemente logo após ele ter feito um discurso em apoio à sua candidatura, muito embora ninguém soubesse dele ou tampouco o tivesse ouvido.

(Fonte: Dissolve/Reprodução)
(Fonte: Dissolve/Reprodução)

Uma das balas atingiu o ombro de Garfield de raspão, mas ele não teve a mesma sorte com a segunda, que atravessou suas costas e foi se alojar perto de seu pâncreas. Guiteau tentou fugir, porém foi detido assim que saiu da estação.

A descoberta de Bell

(Fonte: Britannica/Reprodução)
(Fonte: Britannica/Reprodução)

O presidente foi levado às pressas de volta à Casa Branca, onde os médicos do governo tentaram por várias vezes remover a bala. Eles sabiam que ela estava dentro do corpo de Garfield, porém não conseguiam identificar a rota dela para determinar onde havia se alojado. As chances de sobrevivência do homem eram mínimas, mas ele continuava resistindo.

O famoso inventor do telefone, Alexander Graham Bell, estava em Boston trabalhando em sua próxima invenção, um dispositivo que ele chamava de “equilíbrio de indução”, que hoje conhecemos como “detector de metais”. Assim que ouviu que os médicos estavam tendo dificuldade em localizar a bala no corpo do presidente, Bell escreveu uma carta para o Dr. Bliss, médico de Garfield, oferecendo os seus serviços para a remoção da bala com sua nova invenção.

Bell foi convocado à Casa Branca imediatamente para discutir sobre sua máquina. À princípio, ele não foi permitido usá-la em Garfield, visto que ainda não havia sido passado pela fase de teste. Portanto, o inventor foi para o seu laboratório em Washington e iniciou uma série de testes em veteranos da Guerra Civil que carregavam balas em seus corpos. Os resultados eram instáveis, às vezes o detector encontrava as balas, e às vezes não.

O uso experimental

(Fonte: Gold Dtector/Reprodução)
(Fonte: Gold Dtector/Reprodução)

Com a piora do estado do presidente, Bell recebeu uma carta anunciando que ele poderia usar o detector de metais em Garfield, com o inventor voltando para a Casa Branca em 26 de julho. Com a ajuda de seu assistente, Bell montou o seu instrumento, que consistia em uma grande bobina primária (armazenador de energia em forma de campo magnético) com uma bobina secundária e menor fixada nela. A bobina menor foi ajustada para equilibrar o circuito elétrico para um sinal nulo no sinal sonoro que era escutado no fone de ouvido. Quando a unidade portátil era colocada na presença de metal, ela desequilibrava o circuito e produzia uma nota no fone de ouvido. O alcance do detector de metais era de apenas de 2 centímetros.

Enquanto passeava o dispositivo pelo corpo do presidente e ouvia apenas estática, Bell foi alertado pelo Dr. Bliss para que usasse a máquina só no lado direito do corpo de Garfield, onde ele tinha certeza de que a bala estava. O inventor conseguiu até detectar uma leve oscilação, mas não encontrou a bala.

(Fonte: Ceilling Solutions/Reprodução)
(Fonte: Ceilling Solutions/Reprodução)

Frustrado, Bell voltou para seu laboratório após duas semanas de tentativas e reajustes. Só depois ele foi descobrir que o colchão do presidente era composto por fios de aço, o que poderia ter causando uma interferência no aparelho. Ele conseguiu um colchão igual e confirmou suas suspeitas.

Bell escreveu para o Dr. Bliss, dessa vez certo de que identificaria a bala, porém ele nunca teve a chance. James Garfield morreu em 19 de setembro de 1881 por envenenamento séptico devido aos curativos anti-higiênicos que o Dr. Bliss havia aplicado sobre o ferimento. Além disso, a autópsia identificou a bala sempre esteve do lado esquerdo do corpo do presidente.

Em 1925, o inventor Gehard Fischer foi o primeiro a registrar uma patente sobre o detector de metais, após assimilar os avanços que Graham Bell havia feito por último.

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