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Extremistas têm problemas de processamento cerebral, diz estudo

Pessoas que tendem a ter pontos de vista dogmáticos ou apresentar visões extremistas apresentam algum tipo de problema durante as fases de processamento cerebral, é o que diz um novo estudo publicado na Philosophical Transactions of the Royal Society B. 

Segundo o documento, essa categoria de indivíduos costuma ser muito impulsiva, mas também lenta ao processar informações perceptivas. Dessa forma, extremistas — sejam eles de esquerda ou direita — parecem apresentar mais problemas para lidar com tarefas cognitivas complexas, apesar de possuírem alta tolerância ao risco.

O impulsivismo extremista

(Fonte: Unsplash)
(Fonte: Unsplash/Reprodução)

“Esse gênero de pessoas tende a procurar por sensações, emoções e riscos o tempo todo”, argumenta o líder do estudo e psicólogo na Universidade de Cambridge, Leor Zmigrod. Segundo o cientista, essa é uma visão extremamente congruente, visto que esses indivíduos estão constantemente dispostos a lutar e a cometer violência para defender suas crenças.

Essa não é a primeira vez que um estudo tenta encontrar uma conexão entre ideologias políticas e aspectos básicos da psicologia, mas ainda é uma área difícil de ser explorada entre pesquisadores. Porém, Zmigrod acredita que a maioria dos estudos até hoje falharam ao tentar afunilar o campo de análise para um único dogma ou traço de personalidade.

Foi pensando nisso que a equipe de Cambridge selecionou 522 participantes para passar por 37 tarefas cognitivas e 22 testes de personalidade. Já na segunda fase do experimento, os voluntários foram convidados a responder uma série de perguntas sobre suas crenças políticas e os pontos fortes de suas ideologias.

Resultados do experimento

(Fonte: Unsplash)
(Fonte: Unsplash/Reprodução)

Após a vasta coleta de informações, Zmigrod e sua equipe conseguiram identificar que o extremismo e o dogmatismo nos dois lados do espectro estão diretamente relacionados à falta de flexibilidade cognitiva. Isto significa que estes indivíduos não conseguiram desenvolver a capacidade de pensar sobre conceitos simultaneamente ou alternar entre formas de pensar.

Pessoas com menos flexibilidade cognitiva possuem maior dificuldade de se adaptar a tarefas cujas regras sofrem alterações no meio do caminho, enquanto as mais flexivas encontrarão mais facilidade de seguir as novas regras. Além disso, o estudo indica que esse grupo pode processar informações de maneira imperfeita, despertando um comportamento impulsivo.

Para as próximas etapas, os pesquisadores pretendem estudar como traços psicológicos estão ligados à genética e ao funcionamento do cérebro, o que poderia ajudar a relacionar como as experiências das pessoas interagem com sua psicologia.

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