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Estrelas-do-mar bebês são canibais vorazes e devoram seus irmãos

Não existe nada mais fofo do que estrelas-do-mar bebês. Pessoas geralmente se encantam ao vê-las passeando no fundo dos oceanos de forma inocente e adorável. Porém, um novo estudo, publicado no mês passado (26) na revista Ecology, mostra que esses bichinhos são canibais vorazes, que devoram de forma contumaz os seus irmãos, para sobreviverem.

A descoberta, feita por acaso por dois pesquisadores da Faculdade William & Mary, de Williamsburg nos EUA, foi descrita em comunicado no site da faculdade no início deste mês (2), no qual o professor Jon Allen explicou que a intenção inicial era avaliar o comportamento de estrelas-do-mar-de-Forbes (Asterias forbesi) quando expostas a ferozes caranguejos predadores em laboratório.

Allen diz que eles ficaram surpresos quando, mesmo antes de os caranguejos serem introduzidos no aquário, os pequenos equinodermos começaram a se devorar uns aos outros a ponto de os pesquisadores serem obrigados a descartar o experimento original. Então, Allen e sua colega Karina Brocco French decidiram pesquisar o fenômeno do canibalismo, ainda desconhecido em estrelas-do-mar jovens.

Pequenas espaçonaves estranhas

Fonte: Allen & French/DivulgaçãoFonte: Allen & French/Divulgação

As estrelas-do-mar-de-Forbes são encontradas na costa leste da América do Norte, desde os costões do Maine nos EUA até o Golfo do México. Na idade adulta, elas atingem entre 12 a 24 centímetros de comprimento. As estrelas-do-mar jovens, porém, são versões extremamente reduzidas dos seus pais. Do tamanho de uma cabeça de alfinete, segundo Allen.  

As estrelas-do-mar atingem a forma adulta da mesma forma que as borboletas, ou seja, por metamorfose, evoluindo diretamente de uma forma imatura. French descreve a forma larval das estrelas-do-mar-de-Forbes como "pequenas espaçonaves estranhas" voando pela água, até se metamorfosearem no estágio juvenil e ir para o fundo do mar.

Já era de conhecimento dos cientistas que essas formas juvenis do fundo do oceano devoram normalmente as formas larvais menores que afundam. Mas o que não se sabia até agora é que essas formas juvenis, que possuem aproximadamente o mesmo tamanho, acabam se devorando entre si. 

De acordo com French e Allen, as estrelas-do-mar já se engajam nesse comportamento canibal cerca de quatro dias após a metamorfose. Elas fazem isso projetando sobre o alimento o seu estômago cardíaco, cujas enzimas iniciam a digestão externamente, sendo depois sugadas para as glândulas digestivas interiores.

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