Por que lembramos mais de memórias ruins do que boas?

Qual é a lembrança mais vivida do seu passado? Se a primeira coisa que surgiu em sua cabeça foi a memória de alguma experiência negativa do passado, não se sinta acanhado. De acordo com pesquisadores, os seres humanos possuem maior tendência a se lembrar de coisas ruins do que boas.

O motivo para esse "fenômeno" talvez esteja escondido em nossas raízes evolucionárias, explicou a psicóloga Laura Carstensen ao The Washington Post. Na visão de muitos cientistas, lembrar-se de uma experiência traumática é muito mais importante para nossa sobrevivência do que a memória de algo agradável.

Aprendizado traumático

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Existe uma vertente dentro da psicologia que enxerga um grande valor adaptativo aos nossos eventos negativos. Isto é, muitas informações podem ser obtidas de situações perigosas ou traumáticas e posteriormente utilizadas pelo cérebro para lidar com algum evento semelhante no futuro.

Além disso, a faixa etária que o indivíduo se encontra também desempenha importante função no armazenamento de memórias. Durante seus estudos, Carstensen notou que prestar atenção às memórias negativas é mais comum entre os mais jovens. “Quanto mais as pessoas envelhecem, mais são capazes de viver no presente; e assim, focar em informações positivas faz com que o presente seja bom”, explicou.

Vale ressaltar, entretanto, que as memórias são fragmentos de acontecimentos moldados pela mente humana e que costumam mudar a cada vez que são contadas. Por isso, mesmo se agora você tem uma visão negativa das coisas, é bastante provável que o seu "futuro eu" não enxergue as situações do mesmo jeito.

Apagando memórias ruins

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Apesar de servirem como fonte de aprendizado, as memórias traumáticas por vezes podem acabar se desenvolvendo em um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Esse distúrbio é caracterizado pela incapacidade de se recuperar de algo que vivenciamos, causando constantes pesadelos ou reações exageradas a estímulos.

Recentemente, o Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos tem trabalhado para entender como as nossas conexões cerebrais funcionam no processo de armazenamento de lembranças para poder desenvolver um método de tratamento para esse tipo de transtorno psicológico.

De maneira resumida, a nossa capacidade de extinguir memórias dolorosas depende de algum tipo de esforço coordenado entre duas partes do cérebro: a amígdala e o córtex pré-frontal. Através dessas informações, os pesquisadores esperam conseguir desenvolver métodos de terapia para o enfrentamento de traumas que ajudem a aliviar os sintomas de TEPTS e outros transtornos de ansiedade.

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