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Porcos e ratos podem respirar pelo ânus, diz pesquisa

Uma pesquisa científica publicada na semana passada (14), na revista Med, mostrou os resultados da aplicação de uma forma incomum de ventilação em mamíferos: a entérica, pela qual o oxigênio foi introduzido nos intestinos de ratos e porcos através do ânus.

De acordo com os pesquisadores da Tokyo Medical and Dental University, que conduziram o estudo, a justificativa da pesquisa foi a carência clínica de ventiladores mecânicos. Durante a atual pandemia de SARS-CoV-2, estes equipamentos não foram suficientes para atender às demandas dos pacientes, que ficaram expostos a sérios riscos de morrer asfixiados.

Dessa forma, inspirados em animais aquáticos como os pepinos-do-mar e peixes de água doce chamados botias (Misgumus anguillicandatus), que respiram através de seus intestinos, os cientistas conseguiram obter essa respiração, através da aplicação de ventilação entérica (EVA) em modelos de roedores e suínos.

Fonte: Okabe et al./DivulgaçãoFonte: Okabe et al./Divulgação

Resultados da ventilação intrarretal

Segundo o autor sênior do trabalho, professor Dr. Takanori Takebe, a princípio foi utilizado um camundongo para observar se seria possível fornecer oxigênio gasoso via retal. Ao site Live Science, o pesquisador afirmou: "Cada vez que realizávamos experimentos, ficávamos bastante surpresos".

Colocados em um ambiente com baixo teor de oxigênio, os camundongos sobreviveram por apenas 11 minutos, ao passo que 75% daqueles com ventilação através do ânus conseguiram sobreviver por 50 minutos, em função de uma infusão de oxigênio que atingiu o coração das cobaias.

A equipe decidiu então utilizar animais maiores, como ratos e porcos, e substituir a distribuição intrarretal gasosa por uma forma líquida de oxigênio chamada perfluorocarbono conjugado, um composto normalmente administrado pelas vias aéreas para o tratamento da síndrome aguda respiratória grave (SRAG).

A conclusão, segundo Takebe, foi que "pacientes com dificuldade respiratória podem receber suporte no fornecimento de oxigênio com este método para reduzir os efeitos negativos da sua privação, enquanto tratam da doença subjacente". O próximo passo agora é testar a eficácia da técnica em seres humanos.

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