Aspirina pode ser chave no tratamento do câncer de mama

Pela primeira vez na história, um grupo de pesquisadores irá conduzir testes para ver se a aspirina pode ser usada para combater casos de câncer de mama agressivo, fazendo o tumor responder melhor a outros medicamentos contra o câncer. O teste clínico será conduzido pelo Christie NHS Foundation Trust, um dos maiores centros de tratamento de câncer de mama na Europa.

Localizada em Manchester, no Reino Unido, a instituição realizará os testes em mulheres com câncer de mama triplo-negativo — nome dado para os tipos de tumor mais invasivos e que se disseminam mais rápido. A esperança dos cientistas é de que os efeitos anti-inflamatórios do medicamento ajudem o organismo a reagir melhor ao tratamento.

Resultados promissores

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Em estudos preliminares feitos com animais, a aspirina havia-se mostrado um medicamento interessante para prevenir alguns tipos de câncer e diminuir os riscos de propagação da doença. Como os dados ainda são muito precoces e sem tanta base, os pesquisadores vêm sendo cautelosos e têm buscado mais informações a respeito.

No Reino Unido, cerca de 8 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de mama triplo-negativo todos os anos. Além de ser mais agressivo que o normal, esse tipo de tumor afeta desproporcionalmente mais mulheres jovens e negras do que outros grupos populacionais.

O nome da doença refere-se ao fato de as células cancerígenas desse tipo de tumor não terem receptores de estrogênio ou progesterona e não produzirem a proteína HER2. Por esse motivo, diversos tratamentos que normalmente funcionam em tumores não conseguem encontrar espaço para serem efetivos. 

Esperança para o futuro

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Caso os primeiros testes com seres humanos sejam bem-sucedidos, é possível que os pesquisadores consigam autorização para realizar mais ensaios clínicos com a aspirina no futuro. Durante o experimento financiado pela Breast Cancer Now, algumas pacientes irão tomar o medicamento anti-inflamatório antes mesmo de realizarem cirurgias ou quimioterapia.

"Esperamos que o nosso estudo mostre que, quando combinada com a imunoterapia, a aspirina possa aumentar seus efeitos e, em última análise, fornecer uma nova maneira segura de tratar o câncer de mama", disse a pesquisadora Anne Armstrong, líder do estudo, em entrevista para a BBC.

Segundo as primeiras amostras, é possível que a aspirina fortaleça certos tipos de imunoterapia, evitando que o câncer produza algumas substâncias que enfraquecem a resposta imunológica do organismo dos enfermos. 

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