Caranguejos dançam com coreografias para atrair fêmeas e acasalar

Pesquisadores da Universidade Nacional Australiana descobriram que o caranguejo-violinista realiza danças em grupo para atrair a atenção das fêmeas, sacudindo sua garra de tamanho excessivo para ser o diferente do flash mob “crustaceano” e se destacar ao fugir da coreografia. Segundo o estudo, essa prática é realizada para que o animal obtenha mais chances de acasalamento, já que quem segue a sincronia tende a ser ignorado pelo sexo oposto.

Para realizar a pesquisa, Andrew Kahn, líder do projeto, fixou uma vara de bambu para cercar caranguejos-violinistas fêmeas em um manguezal norte-australiano. Imediatamente, uma série de garras robóticas passou a simular movimentos em uníssono e destoantes para despertar reações nas fêmeas, e as primeiras observações sobre a atração exibiram resultados importantes. Com isso, a equipe determinou que animais que fogem do padrão das coreografias tendem a ter o dobro de chances com a pretendida, enquanto aqueles que realizam passos sincronizados em grupo são naturalmente negligenciados.

Tendo isso em mente, a iniciativa de participar de uma apresentação em equipe aparentemente seria uma marca especial de camaradagem crustácea, com a iniciativa de, juntos, os indivíduos conseguirem despertar a atenção de uma fêmea e provarem seu interesse sexual. Após a união, espécimes mais bem adaptados se aproveitariam do momento para acenar separadamente com suas garras, já que é improvável que os animais evoluam características que os tornam sexualmente pouco atraentes. Confira abaixo o vídeo do experimento.

“É um ambiente realmente caótico em que eles vivem e talvez estejam apenas tentando seguir algumas regras básicas que acabam dando errado”, diz Luke Holman, um dos pesquisadores do projeto. “Em um mundo onde todos estão tentando ser diferentes, todos acabam sendo exatamente iguais.”

Dança para atrair e outra para comemorar

A dança parece ser um elemento importante na vida do caranguejo, e não é utilizada apenas para se diferenciar durante a paquera, mas também como uma forma de mostrar-se superior em relação ao concorrente. Isso porque após algum indivíduo perceber que a fêmea está mostrando sinais de interesse, ele executa passos musicais diferenciados, na tentativa de desencorajar seus rivais a voltarem para a disputa.

Além de ser uma ação provocativa e intimidadora, a dança do vitorioso estimula verdadeiras batalhas pós-flerte, revigorando o espécime que se consagrou e acuando o perdedor. De acordo com pesquisas da Universidade Nacional de Cingapura, em 77 batalhas simuladas, 65% dos caranguejos vitoriosos atacavam fisicamente os derrotados após a dança, enquanto apenas 35% dos perdedores tentavam atacar os superiores depois que os talentos dançantes eram apresentados.

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