Como surgiu a conspiração de que o pouso na Lua não aconteceu?

Em 20 de julho de 1969, a missão Apollo 11 dos Estados Unidos chegou na Lua carregando Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin, após 12 anos do início da Corrida Espacial, cerca de US$ 25 bilhões investidos em um esforço de mais de 40 mil funcionários da NASA para que esse “pequeno passo para o homem, um salto gigante para humanidade” fosse dado.

O termo negacionismo histórico foi cunhado apenas em 1987, pelo historiador francês Henry Russo, em seu livro The Vichy Syndrome, mas desde meados de 1930 a União Soviética já apresentava uma versão de sua história de maneira específica, política e ideológica para a história mundial.

Em 1970, surgiu uma das mais fortes teorias da conspiração: de que o pouso na Lua nunca existiu.

A maior conspiração          

(Fonte: Nasa/Reprodução)(Fonte: Nasa/Reprodução)

Em 1999, uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup revelou que 6% dos americanos duvidavam que o pouso na Lua foi real, enquanto outros 5% alegaram estar indecisos sobre o assunto. O que justifica milhões de pessoas não acreditarem no evento, apesar do grande volume de evidência, como 382 kg de rocha lunar; e imagens de satélites do mundo todo que capturaram as trilhas até hoje deixadas pelos astronautas na poeira lunar?

Bill Kaysing (1922-2005) é considerado o pioneiro na teoria da conspiração de que o pouso na Lua foi uma farsa. O escritor se apoiava no fato de que havia contribuído para o programa espacial americano, ainda que tenuemente, quando foi funcionário da Rocketdyne (empresa que projetou os motores do foguete Saturn V), entre 1956 e 1963.

Em 1976, ele começou a "onda" conspiratória com a publicação de um panfleto chamado Nós Nunca Fomos à Lua: A Fraude dos 30 bilhões de dólares da América, visando encontrar evidências de sua condenação por meio de fotocópias granuladas e teorias irrisórias, mas essenciais para embasar o negacionismo que vemos tão em alta atualmente.

(Fonte: Taringa/Reprodução)(Fonte: Taringa/Reprodução)

Kaysing acreditava que o homem carecia de destreza técnica para chegar à Lua, ou pelo menos, ir e voltar dela. Isso incentivou teóricos radicais a proporem que o evento foi uma cena orquestrada em um dos muitos estúdios de Hollywood, ou até no território da Área 51, que sempre foi motivo de conspiração para os americanos. Alguns teóricos menos radicais acreditam que o pouso até aconteceu, mas não como foi transmitido ao público.

As possibilidades são muitas, mas a atuação sempre é uma ideia universal para eles. O que reforça a conspiração, é o fato de as filmagens virem diretamente da NASA, sem uma verificação independente, com base na filosofia negacionista de não confiar em nenhuma agência governamental. Portanto, se não existe um órgão que inspecione isso por si só, não há provas, e se não há provas, não ocorreu.

Vale ressaltar que a Corrida Espacial aconteceu sob o fio da navalha da Guerra Fria, bem em um momento em que os EUA estavam ressentidos pelo bem-sucedido lançamento da Sputnik, primeiro satélite da Terra. Então, a competição pelo poderio espacial se tornou um símbolo de supremacia tecnológica e mundial, posição que o excepcionalismo americano acreditava que detinha por direito.

Convicto até o fim

(Fonte: Britannica/Reprodução)(Fonte: Britannica/Reprodução)

“A verdade é que a internet tornou possível as pessoas dizerem o que quiserem para um número maior de pessoas do que nunca”, lamenta Roger Launius, o ex-historiador-chefe da NASA, em entrevista ao The Guardian. Ele também culpa a cultura norte-americana de alimentar teorias da conspiração em todos os aspectos.

Mesmo após sua morte, em 21 de abril de 2005, as perguntas de Kaysing ainda reverberam na atmosfera frágil que se tornou a crença na própria ciência. Ele questionava, por exemplo, o fato de que nenhuma estrela é visível nas fotos liberadas pela NASA; e também questionava a falta de uma cratera de explosão sob o módulo de aterrissagem — anomalias, respectivamente, têm a ver com o tempo de exposição das câmeras, e a maneira como o impulso funciona no vácuo e as qualidades reflexivas da poeira lunar.

“Está bem documentado que a Nasa costumava ser mal administrada e tinha um controle de qualidade insatisfatório”, disse ele à Wired em 1994. “Mas, a partir de 1969, podíamos de repente realizar voos tripulados? Com sucesso total? É apenas contra todas as probabilidades estatísticas. ”

Até hoje, todas as teorias levantadas foram amplamente explicadas, bem como as farsas desmascaradas sobre a afirmação de que o pouso foi falso. Além disso, os estudiosos não acreditam que seria possível manter uma farsa coberta por tantos anos, ainda mais sobre algo que poderia destruir uma potência como os EUA.

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