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Astrolábio: conheça o 'smartphone' das grandes navegações

Imagine ter uma única ferramenta capaz de lhe entregar uma enorme quantidade de informações na palma da mão: tempo, localização, horóscopo e até mesmo ajudar a tomar algumas decisões. Saiba que estamos falando de muitos séculos atrás, e os smartphones ainda estavam longe de serem inventados.

Você diria que isso é impossível, certo? Pois então, chegou a hora de conhecer o astrolábio, o dispositivo multifuncional que revolucionou a tecnologia em nosso planeta. Durante séculos, esse artefato foi usado entre europeus e islâmicos para grandes navegações até ser ofuscado por ferramentas mais modernas. Conheça mais dele!

Avanço tecnológico

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Assim como os modernos smartphones, o astrolábio surgiu em tempos de prosperidade econômica — mais possivelmente no auge do Império Romano — e permaneceu em alta até o século XVIII. Até os atualmente, é possível ver resquícios de seu legado, como a régua de cálculo ou os sofisticados relógios suíços.

O nome "astrolábio" pode ser traduzido diretamente do grego como "apanhador de estrelas". Assim, o dispositivo foi ganhando força na Europa e no mundo islâmico em meados do século VIII, embora cada região tivesse diferenças notórias em seus aparelhos, todos eles compartilhavam a mesma estrutura-base.

Portanto, um astrolábio poderia ser tão pequeno quanto um pires de café ou tão grande quanto a tampa de uma lata de lixo, sendo normalmente feitos de madeira ou latão. 

A ferramenta era formada por uma pilha de círculos alinhados com as linhas latitudinais da Terra e outra com localizações de certas estrelas conhecidas no céu, além de uma régua que girava para se alinhar às medições de tempo do aparelho e, na parte de trás, um dispositivo de localização giratório que ajudava a encontrar a altitude de uma estrela — tudo por meio de cálculos.

Observando o céu

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Como a geografia do céu muda conforme a latitude se transforma, um astrolábio precisa vir com uma série de placas associadas a diferentes latitudes das grandes cidades que pretende funcionar. Como muitos deles eram feitos em latão, existem diversos exemplares muito antigos que permanecem intactos até hoje.

Os mais simples, feitos de madeira, eram comprados por pessoas comuns para serem usados no dia a dia e apodreceram com o tempo. Os astrolábios tinham usos mistos, desde o que consideramos científico até o que hoje chamamos de espiritual.

No Islã, essa ferramenta era usada para encontrar a direção de Meca e, mais tarde, tornou-se popular entre os europeus durante a Idade Média como uma ferramenta astrológica para tomar decisões — que iam desde encontrar o melhor momento para a batalha até como fazer transações bancárias. Portanto, nessa época, a astrologia já tinha grande influência nos seres humanos.

Descobertas intrigantes

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

É difícil saber quando surgiu o primeiro astrolábio, mas pesquisadores sugerem que o aparelho já era usado por Ptolomeu, um famoso astrônomo grego que viveu no Império Romano durante o século II d.C. Ele teria deixado registros de que o aparelho tridimensional foi usado para o desenvolvimento de alguns cálculos.

Porém, vale ressaltar que o astrolábio teve séria importância em vários períodos históricos. No campo de Meteorologia, essa ferramenta era vista como uma das mais confiáveis para prever o clima, sem contar que foi um dos objetos favoritos de Cristóvão Colombo (1451-1506) para explorar o Novo Mundo em união com outras ferramentas de navegação.

Em 1488, por exemplo, Bartolomeu Dias (1450-1500) precisou de um astrolábio para descobrir a latitude do Cabo da Boa Esperança. Durante sua expedição, o navegador português estava tão ao sul que acabou se perdendo da estrela Polaris — o que impossibilitaria completamente sua navegação se não tivesse um astrolábio à disposição.

Com o passar das gerações, entretanto, os relógios mecânicos foram ganhando novas atualizações, e tecnologias inovadoras foram surgindo no mercado. Com isso, o astrolábio caiu em desuso, mas não sem deixar um legado. 

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