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'Conversas' com baleias jubarte podem ajudar a falarmos com ETs

As “conversas” entre baleias jubarte e humanos podem fornecer elementos importantes para facilitar a comunicação com seres de outro planeta. É o que afirma um estudo liderado pelo Instituto de Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI), divulgado na revista Peer J no dia 10 de dezembro.

Em parceria com especialistas da Universidade da Califórnia em Davis e da Alaska Whale Foundation, ambas nos Estados Unidos, pesquisadores do SETI realizaram um experimento no qual interagiram com um animal do gênero Megaptera. Para tanto, foi utilizado um alto-falante subaquático cujo sinal transmitido simulava uma mensagem de saudação.

A baleia, chamada Twain, respondeu prontamente ao chamado, se aproximando do barco onde estavam os especialistas. Ao longo de 20 minutos, o sinal foi retransmitido em intervalos diferentes e o mamífero marinho gigante respondia ao sinal de saudação no mesmo ritmo.

Pesquisadores durante a interação com a baleia. (Fonte: SETI/Divulgação)Pesquisadores durante a interação com a baleia. (Fonte: SETI/Divulgação)

Segundo a autora principal do estudo, Brenda McCowan, esta foi a primeira comunicação recíproca entre baleias e humanos na “linguagem jubarte” registrada. O diálogo interespécies, ocorrido em 2021, tem potencial para auxiliar na interpretação de possíveis sinais enviados por alienígenas, como explicou a representante da UC Davis.

Por que as baleias jubarte?

A escolha da jubarte para este projeto ousado, que pode ser a base para o desenvolvimento de ferramentas para quem sabe um dia fazer contato com ETs, não foi por acaso. Como ficou demonstrado no estudo, a interação com Twain revelou sua capacidade de apresentar diálogo que se assemelha ao padrão humano.

“As baleias jubarte são extremamente inteligentes, têm sistemas sociais complexos, fabricam ferramentas — redes a partir de bolhas para capturar peixes — e se comunicam extensivamente por meio de cantos e chamados sociais”, comentou o coautor da pesquisa, Fred Sharpe, em entrevista ao site do SETI.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

O trabalho trouxe uma oportunidade rara de estudar a comunicação inteligente feita por espécies não humanas. Os pesquisadores acreditam ter obtido informações valiosas sobre como lidar com formas de vida na Terra pouco conhecidas, também preparando a humanidade para futuros contatos com civilizações de outros planetas.

Interpretando sinais do espaço

Especializado na busca por sinais de vida inteligente no espaço, o projeto SETI planeja desenvolver filtros com base nos dados da pesquisa com baleias jubarte para facilitar a interpretação de sinais desconhecidos. A ideia é utilizar a matemática da teoria da informação para identificar estruturas de regras que ajudem a traduzir uma mensagem.

Usando o exemplo de Twain, os autores supõem que seres extraterrestres também estejam interessados em se comunicar com a humanidade. E diante das limitações da tecnologia atual, usar o mesmo método adotado para conversar com a baleia pode ser um ponto de partida interessante.

O grupo pretende realizar novos experimentos com o mamífero marinho, investindo em ações ainda mais interativas a partir de mudanças nos sons emitidos pelo equipamento.

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