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Quais são as diferenças entre pessoas autistas e superdotadas nas relações sociais?

As diferenças entre pessoas autistas e superdotadas nas relações sociais originam-se de razões distintas. Os indivíduos autistas sentem frequentemente desconforto em situações sociais, um sentimento que é intrínseco e difícil de articular. Por outro lado, os indivíduos superdotados podem evitar a socialização, mas as suas razões são mais variadas e complexas.

Algumas destas razões incluem:

  • Receio inato: uma apreensão instintiva em relação às interações sociais, processada de maneira única em seus cérebros. Durante a infância, as regiões cerebrais relacionadas ao instinto desenvolvem-se antes daquelas ligadas à maturidade e ao raciocínio. Isso leva crianças e jovens a exibirem comportamentos mais emocionais. Pessoas com alto QI frequentemente têm essas áreas cerebrais mais desenvolvidas, o que pode intensificar sua preocupação instintiva. Com o tempo, contudo, tendem a se socializar mais por meio do amadurecimento e do uso da região frontal do cérebro;
  • Desconexão intelectual: sentir-se sobrecarregado ou desalinhado com o nível intelectual do discurso geral, optando pelo distanciamento;
  • Incompreensão pelos outros: sensação de ser mal-compreendido pelos outros, o que pode levar a uma relutância em envolver-se socialmente;
  • Interesses e curiosidades pessoais: dar prioridade ao tempo para explorar interesses pessoais e satisfazer a sua curiosidade;
  • Foco em tarefas: a dedicação intensa à realização de tarefas, reduzindo o tempo disponível para interações sociais.

É notável que os superdotados possuem a capacidade de adaptar-se e desenvolver habilidades comunicativas, podendo tornar-se bastante sociáveis. Contudo, seu envolvimento em atividades sociais tende a ser transitório e ocasional. Diferentemente de outras pessoas que buscam constantemente interação social, os superdotados podem não sentir a necessidade de estar sempre cercados de amigos ou conhecidos.

Esta análise realça não apenas as diferenças nas experiências sociais de autistas e superdotados, mas também a diversidade e complexidade das interações humanas. Ressalta a importância de compreender e respeitar as diferenças individuais em termos de preferências e capacidades sociais, promovendo uma visão mais inclusiva e empática das relações humanas.

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Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é PhD em Neurociências, mestre em Psicologia, pós-graduado em Neuropsicologia entre outras pós-graduações, licenciado em Biologia e em História, tecnólogo em Antropologia, jornalista, especializado em programação Python, Inteligência Artificial e tem formação profissional em Nutrição Clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; membro ativo da Redilat; chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, cientista no Hospital Martin Dockweiler, e professor e investigador cientista na Universidad Santander.

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