Fingir é o melhor remédio, aponta pesquisa

03/09/2012 às 16:483 min de leitura

Fonte: Thinkstock

Enquanto aquela série de livros de autoajuda prega que você deve ter pensamentos positivos para alcançar prosperidade e felicidade, Richard Wiseman, professor de Psicologia da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, revela que fingir um determinado estado de espírito pode ser a melhor maneira de conseguir realizar seus desejos.

Para isso, em um texto para o jornal inglês The Guardian, o autor do livro Rip It Up revisita diversos estudos realizados ao longo dos anos e prova que é mais importante mudar sua atitude em vez de seu pensamento.

Um exemplo disso é o seguinte estudo analisado por Wiseman: executada na Universidade da Califórnia e coordenada por Lien Pham, a pesquisa pedia que os estudantes visualizassem diariamente o seu sucesso em uma prova que aconteceria nos próximos dias. Mesmo que o exercício durasse apenas alguns minutos por dia, foi o suficiente para que os alunos estudassem menos e, na hora da prova, tirassem notas baixas.

Um estudo semelhante foi realizado na Universidade de Nova York, sob responsabilidade de Gabriele Oettingen, e buscou sondar com que frequência os estudantes de mestrado sonhavam com um emprego ideal assim que saíssem da faculdade. Os resultados apontaram que os alunos que mais pensavam no assunto receberam menos ofertas de trabalho e acabaram com salários relativamente menores.

Mas, se o pensamento não funciona, o que fazer?

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Para demonstrar que as nossas atitudes trazem resultados muito mais satisfatórios, Richard Wiseman foi recuperar descobertas científicas desde o século XIX para comprovar a eficácia do comportamento humano.

O pesquisador cita um estudo do final de 1880, realizado por William James – irmão do escritor Henry James – e que relaciona as nossas emoções e comportamentos. Segundo James, as emoções nos fazem reagir de acordo, como, estar alegre, por exemplo nos faz sorrir e estar chateado nos faz franzir o cenho. Isso é bastante simples, porém a grande sacada do estudioso foi inverter essa noção e propor uma nova teoria.

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A hipótese de James era que também seria possível induzir sentimentos a partir dos comportamentos. Segundo esse raciocínio, sorrir – mesmo que contra a própria vontade – poderia deixá-lo feliz e, da mesma maneira, ficar de cara amarrada seria suficiente para se sentir aborrecido. No entanto, o estudo foi considerado muito a frente de seu tempo e acabou no fundo de uma gaveta.

Muito tempo depois, nos anos 1970, o psicólogo James Laird, da Universidade Clark, decidiu resgatar a teoria de William James e realizar testes. Depois de convocar alguns voluntários, o pesquisador pediu para que forjassem algumas expressões faciais: um rosto zangado deveria ter sobrancelhas franzidas e o maxilar travado, já uma expressão alegre poderia contar com um sorriso com os cantos da boca bem levantados.

Assim como definiu James, Laird pode concluir que os participantes que sorriram forçadamente se sentiram mais felizes e aqueles que travaram o maxilar e franziram as sobrancelhas acabaram, de fato, mais irritados.

O mesmo princípio vale para resistir às tentações. Wiseman também cita o trabalho de Iris Hung, da Universidade Nacional de Cingapura, que se baseia nas tensões musculares que as pessoas fazem involuntariamente quando estão recebendo estímulos. No caso de Hung, o objetivo era simular o comportamento de uma pessoa que recebe incentivos para não consumir açúcar. A pesquisadora levou seus voluntários a um café e lá solicitou que eles resistissem aos doces. Alguns dos participantes foram solicitados a cerrar os punhos e contrair os bíceps, como se realmente estivessem sendo motivados. Incrivelmente, esse simples movimento foi suficiente para que algumas pessoas abrissem mão dos doces e escolhessem opções mais saudáveis.

Quando o assunto é confiança, Dana Carney, professora assistente da Columbia Business School provou que também é possível conquistar a sensação através do comportamento. Os participantes foram separados em dois grupos, um deles foi solicitado a simular poses de poder – sentar na mesa ou colocar os pés sobre ela, olhar por cima e cruzar os dedos por trás da cabeça eram algumas das atitudes utilizadas. Já o segundo grupo foi solicitado a fazer poses que não estavam associadas à dominância – manter os pés no chão, repousar as mãos sobre o colo e olhar para o chão eram alguns dos comportamentos executados.

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Após um minuto, os voluntários tiveram seus sangues recolhidos para que os pesquisadores pudessem verificar as substâncias presentes no corpo de cada um. Aqueles que agiram como se fossem confiantes e poderosos apresentaram maiores níveis de testosterona, provando que o comportamento simulado alterou seu organismo.

Aja primeiro, pense depois

Em resumo, as hipóteses levantadas por William James há mais de um século traziam uma novidade e propunham mudanças. Décadas de estudos foram necessárias para que outros pesquisadores pudessem provar que o comportamento humano pode fazer com que as pessoas se sintam mais felizes, evitem a ansiedade, se apaixonem, percam peso e aumentem sua confiança.

Em vez de pensar como um milionário para ter muito dinheiro ou imaginar sua vida perfeita para conseguir chegar lá, Wiseman sugere que o comportamento simulado pode ser muito mais efetivo do que o pensamento em todos os aspectos da vida cotidiana. O segredo aqui é o seguinte: aja da maneira que você gostaria de ser e você se transformará nessa pessoa.

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