China decide relaxar restrição de apenas um filho por casal
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China decide relaxar restrição de apenas um filho por casal

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Como você sabe, existe na China uma restrição aplicável para a maioria dos casais que limita o número de filhos em apenas um. No entanto, de acordo com a BBC, as autoridades do país pretendem relaxar essa condição, permitindo que no futuro as famílias possam ter dois filhos.

A restrição de um filho por casal foi introduzida na década de 70 com o objetivo de frear o rápido crescimento populacional no país. A política foi instituída de forma bem estrita, e os que não a respeitavam podiam ser obrigados a pagar multas severas, perder o trabalho e até mesmo suas casas.

A política contava com poucas exceções que se aplicavam a algumas minorias étnicas e aos casais chineses formados por dois filhos únicos e que residiam em centros urbanos ou famílias residentes de áreas rurais cujo primogênito era menina. Nesses casos era permitido que os casais tivessem um segundo filho.

Desequilíbrios

Fonte da imagem: shutterstock

Contudo, segundo a publicação, a restrição vem gerando discussões, já que se estima que no ano 2050 mais de um quarto da população terá mais de 65 anos de idade, o que pode resultar em uma redução na força de trabalho e na intensificação das questões relacionadas ao cuidado com os idosos.

Além disso, a tradicional preferência por bebês do sexo masculino também acabou gerando um desequilíbrio de gêneros no país — devido aos abortos seletivos —, e se estima que até o fim da década existirá uma “sobra” de aproximadamente 24 milhões de homens para os quais não haverá esposas.

A reforma proposta agora permitirá que os casais tenham dois filhos e deve ocorrer gradativamente, passando pelos ajustes necessários para promover o desenvolvimento equilibrado da população chinesa. Outra proposta apresentada foi a da abolição da “reeducação” através dos campos de trabalho, além da apresentação de algumas iniciativas no sentido de incentivar o crescimento do setor privado.

Possíveis consequências para o futuro

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Segundo o site Quartz, se estima que a medida resultará em um incremento de 9,5 milhões de nascimentos por ano. Além disso, a proposta põe um ponto final em um experimento social que mudou a sociedade chinesa e, provavelmente, serviu para conter não só o crescimento populacional, mas o econômico também. A seguir, veja algumas possíveis consequências esperadas com a nova política de dois filhos por casal:

Maior força de trabalho

Depois de a força de trabalho de aproximadamente 930 milhões de pessoas ter diminuído pela primeira vez em décadas — e de que essa tendência seja ainda mais intensa nos próximos anos —, o aumento da natalidade resultará, eventualmente, em um aumento no número de habitantes que poderá suportar a população idosa. Contudo, isso levará algum tempo.

Maior número de consumidores

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Com um maior número de bebês, também ocorre um aumento no consumo de produtos voltados para crianças, como alimentícios, de vestuário e serviços voltados para a educação. Além disso, é possível que ocorra uma mudança no foco atual na China — dirigido para a exportação —, com um aumento no consumo interno.

Maior equilíbrio entre gêneros

Embora o relaxamento da restrição não implique em uma mudança cultural no sentido da preferência de meninos a meninas, pode ser que a pressão de que os pais tenham filhos homens passe a ser menor e o desequilíbrio atual entre o número de mulheres e homens seja reduzido.

Maior pressão nos recursos naturais

Um incremento de 95 milhões de nascimentos anuais também significa um aumento na pressão sobre os recursos disponíveis. Afinal, cada novo habitante necessitará de alimentos, água e habitação, o que será um problema, pois, atualmente, a área cultivável per capita do país corresponde à metade da média mundial, e 40% do total é considerado degradado. Além disso, o governo já alertou que, por volta de 2030, a demanda de água poderá não ser atendida.

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