Qual é o segredo para melhorar o aprendizado infantil em casa?

Segundo dados apresentados pelo The Conversation, crianças que estudam em modelo à distância tendem a apresentar um desempenho melhor do que no ambiente escolar, mas apenas caso estejam em um local propício para o aprendizado e possuam uma mesa adequada e recursos que colaborem com a dinâmica de suas casas.

Nos últimos anos, muito vem sendo discutido sobre a eficácia do ensino remoto, modelo de estudo "caseiro" adotado amplamente após as restrições impostas em colégios e centros de aprendizado infanto-juvenil. Porém, apesar de pais e alunos relatarem desconcentração e acompanhamento indevido, tudo indica que isso pode ocorrer pela falta de um local adequado e reservado para que haja a disciplina correta, conforme uma nova pesquisa.

(Fonte: Getty Images / Reprodução)(Fonte: Getty Images / Reprodução)

Em associação com o Estudo de Tendências em Matemática e Ciências (TIMMS), o The Conversation observou dados relevantes sobre as práticas de estudo adotadas em 2019, meses antes do início da atual pandemia. Em um trabalho de escala global, foi detectado que nos locais em que o desempenho remoto era pior do que o escolar, estudantes sofriam pela ausência de tablets e computadores, materiais de pesquisa, uma mesa adequada e silêncio, estando isentos das condições ideais de estudo.

Os resultados e suas disparidades

Excluindo fatores externos como indicadores de pobreza, o TIMMS relatou que apenas 7% dos estudantes que não possuem mesas estão na categoria de maior desempenho acadêmico, enquanto 26% se encontram em índices dos piores níveis de aprendizado, valores que concluem que alunos sem mesa são mais de três vezes propensos a se destacarem negativamente. 

(Fonte: The Conversation / Reprodução)(Fonte: The Conversation / Reprodução)

A pesquisa não aponta apenas o impacto dos recursos ideais, mas também as disparidades existentes entre países considerados de primeiro e terceiro mundo. Quase metade dos estudantes de Marrocos (48%), Arábia Saudita (45%) e África do Sul (43%) não tinha acesso a uma mesa, enquanto nos Estados Unidos (16%), Austrália (10%), França (8%) e Japão (7%) esses índices caracterizam aproximadamente um terço do país mais afetado. Além disso, 11% dos estudantes não possuíam computador e 25% não tinham quarto próprio.

"Acreditamos que recursos domésticos, como mesas e um lugar tranquilo para estudar, devem fazer parte de qualquer conversa sobre o que as crianças precisam em casa para ter sucesso acadêmico", concluiu o The Conversation, que reforça não apenas o meio ideal para a eficácia do estudo, mas também alerta sobre as diferenças do modelo educacional em todo o planeta.

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