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Cidade australiana tem 'briga' entre morcegos e árvores históricas

A cidade de Colac, na Austrália, vive um grande drama que tem dividido a opinião de seus moradores. A raposa-voadora, uma espécie de morcego típico do país, tem sofrido dispersões após migrarem para o Colac Botanic Gardens, o jardim botânico da cidade. De um lado, defensores das árvores históricas do parque desejam a remoção dos animais, do outro, protetores dos animais lutam pelo direito deles de permanecerem no local.

O Colac Botanic Gardens foi fundado em 1865 e é um dos maiores jardins botânicos da região de Victoria, possuindo 7 árvores nativas e exóticas, listadas no National Trust of Victoria's Significant Trees Register.

As primeiras raposas-voadoras chegaram ao jardim no verão de 2016. A grande quantidade de árvores, junto do lago e o clima da região, proporcionaram aos morcegos as condições perfeitas para suas colônias. 

As raposas-voadoras costumam dormir durante o dia e vagar a noite. (Unsplash/Reprodução)As raposas-voadoras costumam dormir durante o dia e vagar a noite. (Unsplash/Reprodução)

Segundo o conselho do condado de Colac, as árvores sofreriam danos irreparáveis se os morcegos não fossem removidos. Mas uma pesquisa realizada no parque Yarra Bend, para analisar o impacto das colônias dos morcegos, mostrou que os impactos não são tão negativos quanto se esperava, e que em determinado momento, as raposas-voadoras acabavam beneficiando as árvores.

Mesmo assim, cerca de US$ 190 mil (pouco mais de R$ 1 milhão) foram gastos pelo órgão na tentativa de dispersão dos morcegos, que só fez com que a colônia aumentasse. Organizações e ativistas têm lutado pela permanência dos animais no parque da cidade.  

"As espécies nativas têm o direito de existir entre nós. Temos a responsabilidade histórica e ética de fazer o nosso melhor para acomodá-los ou ajudá-los", escreveu Andy Meddick, membro do Animal Justice Party, em uma carta pública ao conselho.

Raposas-voadoras dormindo na copa da árvore. (Kirsa Van Scheepen/Reprodução)Raposas-voadoras dormindo na copa da árvore. (Kirsa Van Scheepen/Reprodução)

No ano passado, o conselho conseguiu o direito de dispersar os morcegos entre os meses de abril e agosto, quando a espécie não se reproduz. 

Mas em janeiro deste ano, filhotes de raposas-voadoras foram resgatados com apenas alguns dias de idade, o que forçou  a interrupção das dispersões até que os filhotes cresçam.

Desde a interrupção, nenhuma outra dispersão foi planejada, dando esperanças aos ativistas em prol dos morcegos de que o conselho da cidade e administradores do jardim mudem de ideia.

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