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Sotaques do Brasil: conheça a origem desses 5 modos de falar

Todos sabemos que o Brasil é um país de proporções continentais, formado por gente vinda de vários lugares: os indígenas nativos, as pessoas escravizadas vindas da África e os imigrantes europeus, por exemplo, são só alguns deles. Este "caldo" certamente influenciou a formação dos diferentes sotaques na população, que foram sendo criados e perpetuados a partir destas influências fonéticas.

Os sotaques costumam considerar três fatores: a população nativa do local, os povos que migraram para lá e como as migrações influenciaram a forma com que as pessoas falam. Ao nos referir aos sotaques, pensamos em maneiras diferentes de cadenciar as palavras, a formação de novos termos e fonemas e a consolidação de expressões locais.

Se você tem curiosidade em saber como os sotaques do Brasil foram formados, este é o texto para você.

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1. O sotaque caipira

(Fonte: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Reprodução)(Fonte: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Reprodução)

O jeito entendido como mais "caipira", enfatizando o R retroflexo (aquela pronúncia do "porrrrta"), é mais típico no interior de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais e Santa Catarina. Uma das influências desse modo de falar nasce na dificuldade que os indígenas tinham para pronunciar o R.

O mesmo acontecia com outros fonemas. Os dialetos indígenas não conheciam apenas o som do F, do L e do R, mas também do "LH". Por isso, tiveram muita dificuldade em reproduzir esses sons. Foi por essa razão que "palha" virou "paia" e "falha" virou "faia".

O choque entre a fala indígena e dos imigrantes portugueses permanece até hoje, e existe gente que ainda troca o L pelo R – dizendo, por exemplo, "farta" ao invés de "falta", e "frecha" ao invés de "flecha".

2. O impacto das migrações no sotaque paulista

(Fonte: Supla/Youtube)(Fonte: Supla/Youtube)

No fim do século XIX, São Paulo abriu as portas para os imigrantes. Mais de 1,5 milhão de italianos chegaram na cidade e ajudaram a construir o sotaque paulista. Bairros como Mooca, Brás e Bixiga, com forte presença desta população, criaram um sotaque carregado e com um R mais vibrante (pense, por exemplo, naquele "ôrra, meu" do Faustão).

3. O "chiado" do Rio de Janeiro

(Fonte: Walt Disney/Divulgação)(Fonte: Walt Disney/Divulgação)

Já no Rio de Janeiro, o R e o S foram apropriados de forma diferente. E a razão disso tem a ver com a chegada da corte portuguesa para o Brasil em 1808. Neste ano, 15 mil portugueses vieram para o Rio junto da corte de Dom João VI, ajudando a definir o jeito que o carioca fala.

Na época, era moda pronunciar o R da mesma forma que os franceses faziam, como se o som saísse do fundo da garganta. Assim, a nobreza ostentava esse sotaque que enfatizava o R e fazia o S soar próximo ao SH ou X (falando "Lishboa" ao invés de "Lisboa").

4. O sotaque do "leite quente dá dor no dente"

(Fonte: Gabriela Carsten Galliano Gabriela/Carsten Galliano/Medium)(Fonte: Gabriela Carsten Galliano Gabriela/Carsten Galliano/Medium)

A mescla entre diferentes culturas também ajudou a formar um sotaque bem reconhecido: aquele que enfatiza o E no fim das palavras. É o caso do sotaque de Curitiba e de parte dos paranaenses, que separam bem as sílabas e destacam este E final.

Isto aconteceu por questões geográficas. Curitiba, por exemplo, era um intenso polo de atração de imigrantes no século XIX. Havia na cidade populações indígenas, pessoas escravizadas, imigrantes italianos, ucranianos e poloneses, além do local ser rota de passagem para os tropeiros. 

Como os ucranianos e poloneses tinham poucas vogais em suas palavras, os imigrantes começaram a forçar a pronúncia de letras como o E para poderem ser entendidos.

5. Influências europeias e africanas no Nordeste

(Fonte: Instagram/Reprodução)(Fonte: Instagram/Reprodução)

O sotaque de Recife foca bastante na pronúncia do R, lembrando o uso das línguas germânicas. Isto é uma herança das invasões holandesas na cidade no século XVII. 

Mais liberal que a colonização portuguesa, o tempo de regência da Holanda em Pernambuco durou 25 anos, mas deixou fortes marcas culturais – com ênfase na abertura para o conhecimento e a liberdade religiosa. 

Outro elemento histórico que influenciou fortemente os sotaques foi o ciclo do açúcar no Brasil no século XVI. Os engenhos, muitos deles situados em estados do Nordeste, levaram uma grande população de africanos escravizados para estes locais. Eles carregaram consigo sua rica bagagem cultural, o que ajudou a formar os sotaques nos lugares onde estavam.

https://www.megacurioso.com.br/educacao/121105-6-erros-de-portugues-mais-comuns-entre-os-brasileiros.htm

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