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100 anos de make: como os padrões de beleza mudaram desde os anos 1920

Com todo respeito a Lord Voldemort, gosto é igual nariz, cada um tem o seu. Mas o conceito hegemônico de bonito e feio é pura construção social, como lembra o professor e pesquisador Benedito Costa Neto, da Universidade Positivo, que estuda o campo da linguagem humana.

Ele cita o exemplo da moda: em uma região fria, bonito é ter um casaco chique. No calor, as regras são diferentes. O tempo também muda normas. Basta se lembrar dos mullets: uma das mais estranhas contribuições dos anos 1980 para o universo dos penteados.

A lógica vale também para a make. Há pouco tempo, o desejo pelo rosto sequinho impulsionou o boom dos batons e bases matte. Agora, o que se busca é a face hidratada e de aparência úmida. Dos glitters aos iluminadores, vivemos o auge da era glow.

Foi pensando nessas transformações que o Hospital Group, empresa do Reino Unido especializada em cirurgias e procedimentos estéticos, resolveu mapear diferentes tendências de beleza desde os anos 1920.

Segundo a companhia, as tendências de maquiagem respondem a ciclos, que duram entre 30 e 40 anos. “Primeiro, há um look bem lúdico. Depois, um muito feminino. Na sequência, algo mais dramático e exagerado, e, por fim, uma coisa mais natural. Não é um ciclo perfeito, mas parece haver essa lógica”, explicou o hospital ao site Bored Panda.

De década em década, já dá para notar mudanças substanciais. E, para mostrar essas nuances, o artista Jan Koudela ilustrou as particularidades de cada momento. Confira!

Anos 1920

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O creme antienvelhecimento Pond foi uma das grandes sensações da década de 1920. O ideal de juventude marcou esse período de forma excepcional e o rosto brilhante e perolado virou sinônimo de beleza em todo o ocidente. Uma das referências desse estilo foi a atriz estadunidense Mary Louise Brooks, que também ajudou a popularizar o corte de cabelo liso e curtinho, aquele da estilista Coco Chanel.

Anos 1930

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Inspiração para um hit de Kim Karnes nos anos 1980, os olhos grandes e enigmáticos de Bette Davis fizeram sucesso muito antes disso. Na década de 1930, quando a atriz brilhou no cinema, eles ditavam um padrão a ser imitado.

Outra tendência da época eram as sobrancelhas finas, também aderidas pelas estrelas Katherine Hepburn e Marlene Dietrich. Os diretores diziam que esse estilo ficava melhor nas telas do que as sobrancelhas grossas. Foi nesse tempo também que surgiram as correntes elétricas com microondas pulsadas para a restauração da pele.

Anos 1940

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Nos anos 1940, as sobrancelhas muito finas saíram de moda e deram lugar a algo mais natural. A pele com aparência de fresca entrou em cena, enquanto marcas como Max Factor, Elizabeth Arden e Maybelline lançavam batons de cores ousadas. O vermelho era obrigatório.

Anos 1950

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Glamour foi a palavra-chave dessa década. O famoso delineado gatinho, puxado até o canto dos olhos, ganhou destaque ao lado de um rímel abundante para alongar e dar volume aos cílios.
O batom da vez era o vermelho-alaranjado. Em se tratando de cuidados faciais, a popularização de hidratantes como o creme para pele seca da marca Pound ampliou o consumo desses produtos.

Anos 1960

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Uma sombra clara para iluminar a região dos olhos e muito rímel nos cílios superiores e inferiores davam um aspecto lúdico à make dos anos 1960. A modelo, cantora e atriz britânica Lesley Lawson, mais conhecida como Twiggy, era um dos principais exemplos dessa pegada.

Foi também nos anos 1960 que os peelings químicos começaram a se popularizar. Outra novidade eram os sistemas de cuidado com a pele. Só o hidratante já não era mais suficiente para mantê-la bonita quando se tinham tônicos e produtos de limpeza.

Anos 1970

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Os lábios brilhantes e as sombras coloridas ganharam os holofotes nos anos 1970. A pele bronzeada foi outra marca forte que impactou o conceito de make bonita da época.As maquiagens passaram a incorporar ingredientes naturais - atendendo a uma demanda daquele momento.

Anos 1980

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Basta se lembrar das cantoras Blondie e Madonna para imaginar o que era tendência nos anos 1980. Cores vivas chamavam a atenção não apenas na make, mas também nos cabelos. Do lilás ao rosa chiclete, havia poucos limites na combinação de tons. O importante era ser colorido e ousado.

Anos 1990

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Olhos com bastante esfumado e uma paleta de batons em vinho, marrom e tons similares foram popularizados nos anos 1990. Atrizes famosas dessa década, como Gwyneth Paltrow e Drew Barrymore, inspiraram muitas makes nesse estilo.

Anos 2000

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Com uma pegada futurista e divertida, as sombras azuis e prateadas estavam em alta nos anos 2000. O gloss com brilho foi outra marca da década, em que surgiram os hidratantes com ácido hialurônico. Ah, e a sobrancelha fina voltou com tudo.

Anos 2010

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Já no início dos anos 2010, a sobrancelha extremamente fina novamente ficou para trás, dando vez a um desenho mais natural. Paletas de contorno entraram em cena para conferir às makes uma iluminação artificial com texturas e profundidades bem definidas.

Os principais ícones dessa moda foram influenciadoras de maquiagem, como Jeffree Star e Kylie Jenner. A popularização dos preenchimentos labiais colocou os lábios grossos entre as sensações da década.

Anos 2020

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A pandemia de covid-19 tem mudado a relação das pessoas com a make. O isolamento social está impulsionando o autocuidado, com destaque para máscaras faciais e outros produtos de skincare. Com o bem-estar em foco, a busca por uma pele saudável supera outras preocupações.

Não é difícil entender, então, por que a harmonização facial tem virado meme ultimamente: associada a rostos artificiais, recebe muitas críticas nesse momento em que a nova onda é ser natural. Essa perspectiva deve impactar uma década inteira.

O que o futuro reserva?

E para 2030, o que é possível esperar? Bem, se a maquiagem responde a ciclos, algumas tendências já podem ser previstas: segundo o Hospital Group, na próxima década, a maquiagem possivelmente será mais divertida, principalmente na área dos olhos. Mas,  assim como foi em outros momentos, só mesmo o tempo dirá o que vem por aí.

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