Em 1896, entrava em vigor a lei que proibia cuspir em público em NY

De acordo com um artigo de 1884 publicado pelo Akron Law Review, um grupo de mulheres membros da Associação de Mulheres de Proteção à Saúde (LHPA) abriu um processo contra um homem chamado Michael Kane, proprietário de um depósito de esterco gigante em sua vizinhança, em Beekman Place (Nova York, EUA).

A queixa era porque Kane tinha uma pilha de esterco de 9 metros de altura que cobria 2 quarteirões da cidade. Esse seu empreendimento lhe rendia US$ 300 mil por ano e empregava 150 trabalhadores, que coletavam o estrume dos estábulos e o vendiam como fertilizante para fazendeiros fora de Nova York.

(Fonte: Ephemeral New York/Reprodução)(Fonte: Ephemeral New York/Reprodução)

Em 20 de dezembro daquele ano, diante de um júri de 10 membros, as mulheres da LHPA declararam que o cheiro era muito "desagradável, assustador e simplesmente insuportável". Elas não podiam nem sequer abrir as janelas de suas casas para desfrutar do ar fresco da cidade porque temiam que o esterco representasse um perigo à saúde de seus filhos. Ao todo, elas afirmaram que o incômodo público deveria ser removido.

Ali começou a revolução do poder da LHPA no combate contra os problemas de saúde pública da cidade.

O início de tudo            

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em uma época em que era esperado das mulheres serem "apenas" governantas das próprias casas, o grupo percebeu que elas só seriam ouvidas e não consideradas “loucas, irracionais e delicadas” se trabalhassem juntas, tornando-se "governantas municipais".

A LHPA passou a olhar para as ameaças à saúde pública de sua comunidade em 1882, quando o bacteriologista alemão Robert Koch identificou o germe mais procurado do mundo: o Mycobacterium tuberculosis. Este matava uma pessoa em cada sete nos Estados Unidos (EUA) e na Europa no final do século XIX. Associando a tuberculose a uma bactéria, Koch abriu as portas para campanhas de saúde pública que visavam prevenir a disseminação do micro-organismo.

(Fonte: The Guardian/Reprodução)(Fonte: The Guardian/Reprodução)

Durante 6 anos, a LPHPA fez campanha por medidas de proteção com os grupos do Comitê Anti-Tuberculose do Brooklin e da Associação Nacional de Tuberculose. Em 1896, elas conseguiram erguer um decreto incomum na história: ficou proibido em Nova York todo o ato de expectoração, mais conhecido como cuspe, em local público.

A princípio, para conscientizar sobre a nova ilegalidade, foram colocadas placas ao longo da cidade para lembrar as pessoas de não cuspirem. No entanto, em 1909, um comissário de Saúde passou a instruir oficiais de Saúde a prenderem qualquer pessoa que eles vissem cuspindo nas calçadas e plataformas do metrô.

O esquadrão da higiene

(Fonte: Bloomerang/Reprodução)(Fonte: Bloomerang/Reprodução)

Chamado "o esquadrão sanitário", esses policiais da higiene reuniam centenas de cuspidores e os conduziam ao tribunal, onde eram sujeitos a multas de até US$ 2. No entanto, isso se mostrou ineficaz, então os grupos passaram a distribuir panfletos informativos sobre os supostos perigos da expectoração, incluindo a tuberculose.

Apesar de não evitar que as pessoas contraíssem a doença, isso pode ter ajudado a prevenir a propagação dela para outras pessoas — muitos que expectoravam pelas ruas foram presos durante a pandemia de Gripe Espanhola de 1918. A LHPA temia que os escarros cuspidos, principalmente pelos homens, grudassem na bainha dos vestidos longos e facilitassem a disseminação.

Embora houvesse contras que os médicos não faziam ideia na época, a criação e a aplicação da lei que proibiu cuspir em Nova York foi estendida para outras 150 cidades dos Estados Unidos, destacando a ameaça que a tuberculose representava. 

Bem, se ela não preveniu que as pessoas fossem infectadas, ao menos estabeleceu limites para o comportamento do cidadão em público.

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