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Freedom Ship: navio poderia se tornar cidade para 100 mil pessoas

No final dos anos 1990, o engenheiro Norman Nixon surgiu com uma ideia ousada: criar um meganavio de 25 andares, 1,3 km de comprimento, 228 metros de largura e 106 metros de altura. O Freedom Ship, como foi batizado, foi projetado para desenvolver uma comunidade "internacional, cosmopolita e autossustentável".

Na visão de Nixon, a embarcação navegaria o globo a cada três anos e atracaria nos principais portos do mundo. Para deixar tudo mais impressionante, o navio seria capaz de acomodar 100 mil passageiros atracados, 40 mil moradores, 20 mil tripulantes, 30 mil visitantes diários e 10 mil turistas hospedados nos hotéis construídos a bordo. Entenda mais sobre o projeto nos próximos parágrafos!

Adiamento das obras

(Fonte: Freedom Ship International/Divulgação)(Fonte: Freedom Ship International/Divulgação)

Embora a ideia inicial tenha surgido há quase 30 anos, o projeto do Freedom Ship nunca tomou um formato concreto. Principalmente por ser uma ideia de dimensões absurdas, os custos para que tudo saísse do papel se mostraram exorbitantes. Para se ter ideia, inicialmente o custo líquido da construção seria de US$ 6 bilhões em 1999.

Em 2002, no entanto, as estimativas subiram para US$ 11 bilhões, o que fez com que os desenvolvedores do projeto tivessem que admitir a dificuldade de obter apoio financeiro confiável à imprensa em 2008. Em 2013, a Freedom Ship International anunciou que o projeto do navio, agora com um preço estimado em US$ 10 bilhões, seria ressuscitado.

Mesmo naquela época, muita expectativa havia sido criada e nenhuma construção tinha começado. Em 2016, a empresa se afiliou à Kanethara Marine, da Índia, e a tendência era de que as obras tivessem andamento. No entanto, nenhuma nova informação a respeito do Freedom Ship foi divulgada desde então.

Conceitos inovadores do Freedom Ship

(Fonte: Freedom Ship International/Divulgação)(Fonte: Freedom Ship International/Divulgação)

Com uma visão um tanto quanto utópica, o Freedom Ship surgiu como uma ideia pronta para revolucionar o nosso conceito de mundo. Os responsáveis pelo projeto acreditavam que a comunidade que se desenvolveria na embarcação transmitiria a ideia de que não existiriam diferenças de classe entre seus habitantes.

Todos receberiam o mesmo tipo de atendimento de saúde e os jovens teriam a mesma educação — isso vale para alunos do nível pré-escolar até o nível universitário. O Freedom Ship seria projetado para comportar 17 mil unidades residenciais, oferecendo alimentação, moradia, uniformes, assistência médica e odontológica e um programa de educação continuada para todos os seus funcionários.

Além disso, a planta inicial incluía uma pista de pouso de 1,1 km para aviões particulares, uma marina para os iates dos residentes, um grande shopping, um campo de golfe, ciclovias e 800.000 m² abertos para recreação. Por ser basicamente uma "cidade flutuante" e navegar em águas internacionais — livres da legislação dos países —, os passageiros não teriam que pagar impostos, mas seguiriam as leis fiscais federais de seus países de origem.

Porém, a falta de estabilidade entre as equipes corporativas que comandam o projeto e as múltiplas brechas fiscais que parecem fazer parte da visão de Nixon fazem com que seja cada vez mais impossível imaginar que o Freedom Ship um dia existirá de verdade.

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