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Será que a crise de meia-idade realmente existe?

Ansiedade, insatisfação e mesmo infelicidade são alguns dos terríveis pesos que volta e meia podem sobrecarregar os nossos dias. A sabedoria popular diz que, à medida que envelhecemos, tendemos a lidar melhor com todas as emoções e também as frustrações que temos. Isso deveria significar que não seríamos tão suscetíveis a crises, como a dos trinta anos. Mas o que dizer da crise da meia-idade? Ela realmente existe?

Buscar uma resposta para essas últimas perguntas pode nos levar a reparar que o próprio conceito de meia-idade anda variando conforme as gerações avançam, já que o aumento da expectativa de vida tem proporcionado outra visão. Nos anos 1960, quando esse conceito foi formulado por Elliott Jaques, ele correspondia uma faixa etária relativamente menor que a de hoje, que beira os cinquenta anos de vida.

No entanto, a estagnação, a depressão e o mesmo o medo do futuro que ainda restava eram os elementos que mais prevaleciam dentre as pessoas observadas por Jaques.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Conceituando a crise da meia-idade

Encarar crises como um simples momento de fraqueza pode não ser o melhor caminho para ponderar sobre o que é uma crise de meia-idade. Até porque ela é bastante influenciada pelas vivências de cada um. E por trás da mudança de rota que a caracteriza, apesar de ser bastante estereotipada, há toda uma reavaliação.

Considerando que ela surge a partir de uma reflexão pessoal envolvendo a própria trajetória, as expectativas cultivadas, e mesmo os passos andados até determinado ponto, a soma desses pesos pode levar qualquer um a ter uma nova perspectiva.

Naturalmente, o medo da velhice e da morte são o que conferem à crise da meia-idade um feitio mais preocupante: repentinamente, uma pessoa desiste de algo que vinha batalhando por muito tempo, ou encerra um relacionamento de anos e muda de cidade como se tivesse decidido tudo sem refletir sobre.

Nos casos mais críticos, a pessoa ainda leva um estilo de vida que é mais compatível com o que tinha quando mais jovem, parecendo desconsiderar o atual estágio, ou mesmo as responsabilidades que a acompanham. Em suma: são os comportamentos inconsequentes que definem esse quadro. Mas ainda assim, muito se discute se ele abarca uma experiência universal.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

O peso de cada escolha

Segundo um estudo publicado em 2022 pelo Departamento Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos, que acompanhou a saúde mental de mais de 500 mil pessoas, a crise de meia-idade é mais real do que imaginamos. O estresse, por atingir o pico entre os 40 e 50 anos, seria o seu grande propulsor, motivando uma visão mais crítica sobre a carreira e a vida pessoal.

Soma-se a esse fenômeno ainda o fator físico, já que o corpo também pode dar sinais de cansaço, dores, depressão e pode até mesmo estar exigindo mais cuidados devido a alguma outra doença crônica. Além do maior índice de internações hospitalares, foi percebida uma maior predisposição ao suicídio dentro desta faixa etária.

Para quem passou tantos anos trabalhando ou se dedicando a um projeto, a partir dos cinquenta anos pode vir uma percepção que a maior parte da vida já passou — algo essencialmente melancólico para quem já se sente insatisfeito. Mas apesar de já haver muita coisa vivida, por que não tentar viver melhor do que antes? Afinal, a partir da meia-idade também é quando finalmente podemos ter adquirido uma maior independência financeira e maturidade.

Partindo desse ponto de vista, a crise de meia-idade perde uma parte do viés fatalista e ganha um ar mais reflexivo, de autoavaliação. Por outro lado, apesar de ainda haver muito a ser considerado sobre o fenômeno, ele não deixa de oferecer uma amostra do que pode acontecer quando abandonamos algumas das preocupações que costumam atormentar os adultos mais jovens, sejam elas relacionadas à busca por validação ou à própria carreira.

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