Você sabe o que é isso que parece uma pequena floresta de brinquedo?
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Você sabe o que é isso que parece uma pequena floresta de brinquedo?

O que você vê na imagem acima? Arvores? Arbustos? Não, estes eram os rangeomorfos, um dos primeiros organismos complexos a evoluir na Terra. Apesar de possuírem a aparência de plantas com galhos e ramificações, esses organismos são considerados mais especificamente como os primeiros animais em nosso planeta.

Os rangeomorfos dominaram os oceanos por 40 milhões anos, há 575 milhões de anos atrás, em um período chamado de Ediacarano. Antes deles, a vida era microscópica. Eles se desenvolviam tanto em águas mais superficiais até as mais profundas do oceano.

Essas criaturas podiam medir até dois metros de comprimento, embora a maioria tivesse mais próxima de dez centímetros de comprimento. Elas não tinham órgãos, boca ou quaisquer meios de movimento. Por isso, elas tinham que absorver passivamente os nutrientes da água em que viviam.

Elas desapareceram da face da Terra de repente e agora algumas pesquisas tentam esclarecer como os rangeomorfos surgiram e como foram extintos.

As mais antigas formas de vida

A cientista Jennifer Hoyal Cuthill e Simon Conway Morris, um paleontólogo, ambos da Universidade de Cambridge, estudaram como a anatomia de 11 tipos de rangeomorfos evoluiu, utilizando fósseis para criar réplicas computadorizadas em 3D de cada um.

Jennifer encontrou três tipos principais. Alguns eram altos e delgados, como pinheiros, projetando ramos em intervalos regulares a partir de um tronco central. Outros tiveram ramificações mais longas que saíam mais para os lados. O último grupo encontrado foi do tipo esponja ou coral, que se espalhava pelo fundo do mar.

Cada plano corporal rangeomorfo era um fractal e, por isso, parecia o mesmo em diferentes escalas. Essas criaturas evoluíram maximizando a sua superfície externa a fim de aumentar a absorção dos nutrientes.

Seres misteriosos

Durante seu apogeu, eles viviam em todos os lugares até as mais profundas fendas do mar. Sabemos que os rangeomorfos cresciam no leito oceânico, longe demais da superfície para obter energia pela fotossíntese. "Mas é mais provável que eles absorvessem nutrientes da água do mar através da superfície de seu corpo”, disse Jennifer Hoyal.

A reconstrução criada pelo estudo revelou que o padrão fractal das criaturas, era evidente desde a menor escala do animal até a maior. Isso, por sua vez, significava que os rangeomorfos maximizaram a sua área de superfície, as tornando ideal para absorver o carbono dissolvido e oxigênio das águas.

"Estas criaturas eram muito bem adaptadas ao seu ambiente, quando os oceanos na época eram ricos em nutrientes e pobres em competição. Matematicamente falando, elas preenchiam os espaços de uma forma quase perfeita", disse Jennifer.

A extinção no Período Cambriano

Durante a explosão cambriana, uma mistura variada de criaturas estranhas e móveis começou a encher os mares. A explosão cambriana refere-se a um período evolutivo entre 520 milhões e 540 milhões de anos atrás, quando exoesqueletos, membros articulados e outras inovações surgiram.

Com isso, o novo elenco de organismos marinhos rapidamente se alimentou dos indefesos (e imóveis) rangeomorfos. Além disso, a alteração química das águas não forneceu os nutrientes ricos dos quais eles dependiam. "Assim que o Cambriano começou, estas criaturas não puderam mais sobreviver e nada como elas foi visto novamente", disse Jennifer Hoyal Cuthill.

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